Além disso, 773 pacientes estão em "isolamento ou hospitalização" e 571 pessoas conseguiram se recuperar da doença, enquanto a taxa de rastreamento de contatos está em 77,8%. Especialistas, no entanto, partem do princípio de que há um elevado número de infecções não contabilizadas, que até agora não foram detectadas ou notificadas. No domingo, as autoridades congolesas já haviam confirmado 3.075 casos, entre eles 1.354 mortes. Em apenas dez dias, o número de infecções aumentou em mais de mil, o que sugere um ritmo acelerado de contágio. Familiares de Vanisa Anifa, uma menina órfã de 6 meses que morreu de Ebola, comparecem ao seu enterro em Bunia, Congo, na sexta-feira, 19 de junho de 2026. — Foto: AP/Moses Sawasawa Epidemia concentrada no leste da RDC O atual surto se concentra sobretudo no leste do país, uma região assolada por mais de 30 anos de conflitos armados. Até o momento, as cinco províncias afetadas são Ituri (responsável por quase 90% dos casos, segundo a OMS), Kivu do Norte, Kivu do Sul e Haut-Uele, além de Tshopo (centro-norte). A epidemia também acabou se propagando para Uganda, que faz fronteira com a província de Ituri, epicentro do surto. Em 16 de julho, contudo, após registrar um total de 20 infecções confirmadas, a Uganda deu alta ao último paciente que permanecia internado no país. Com isso, tem início a contagem regressiva de 42 dias sem novos contágios, período necessário para declarar o fim do surto. Uma doença sem tratamento nem vacina Causada pelo vírus Bundibugyo, contra o qual não existe vacina nem tratamento específico, a doença é transmitida por contato com fluidos corporais e provoca febre hemorrágica. Cientistas trabalham atualmente em várias vacinas e medicamentos contra a variante do vírus. Na sexta-feira, um primeiro voluntário de 37 anos recebeu uma vacina experimental direcionada especificamente à variante Bundibugyo, informou a Universidade de Oxford. O imunizante ChAdOx1 BDBV utiliza a mesma tecnologia da vacina contra a covid-19 da AstraZeneca. O estudo recebeu financiamento da Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), enquanto o Instituto Serum da Índia já produziu um estoque de 620 mil doses. Outras vacinas contra a variante Bundibugyo também estão sendo desenvolvidas em ritmo acelerado para avançar à fase de testes clínicos, além de duas possíveis terapias. Um desafio para as autoridades Oficialmente declarada em 15 de maio, esta é a terceira pior epidemia de ebola já registrada na história e a 17ª a atingir a RDC. "As capacidades de vigilância e atendimento seguem plenamente mobilizadas nas áreas afetadas", afirmou o ministério. Por sua vez, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) destacou em suas redes sociais a importância de realizar enterros "seguros e dignos" para interromper a transmissão da doença. Em 2020, a epidemia mais letal da RDC provocou cerca de 2.300 mortes entre os 3.500 casos registrados entre 2018 e 2020. Na África como um todo, o ebola já matou mais de 15 mil pessoas nos últimos 50 anos.