Ex-governador defende classificação de facções criminosas como organizações terroristas Romeu Zema, candidato à Presidência — Foto: Andressa Anholete/Agência Senado O candidato à presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, fez hoje críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF), propôs criar um presídio “gigante” para integrantes de organizações criminosas e disse que o Brasil precisa “retomar a soberania”. As falas foram realizadas pelo ex-governador de Minas Gerais após a oficialização de sua candidatura. O candidato alfinetou seus oponentes, afirmando que o Brasil deve retomar a “soberania que nós estamos perdendo”. Na visão dele, o país já deveria ter caracterizado o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, assim como fez os Estados Unidos. Leia mais Ainda no âmbito da segurança pública, o ex-governador reforçou que quer construir um “presídio gigante”, “em um lugar remoto, no meio da Amazônia”, e elogiou a política de El Salvador no combate às facções do país. Ele pontuou querer mudar a legislação penal para diminuir a criminalidade no Brasil. Segundo Zema, “não dá para continuar mantendo gente do mal na rua”. Segundo o candidato do Novo, a sua principal bandeira é ser contra o Partido dos Trabalhadores. Na disputa do governo estadual de Minas Gerais, por exemplo, o ex-governador disse que o PT procurava um "boi de piranha" para o posto e que a sigla do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "laçou à força" o deputado federal Patrus Ananias para concorrer. Durante a convenção do Novo, Zema se apresentou como candidato “com todas as credenciais” para ser presidente da República. Ele disse ser o nome capaz de enfrentar e derrotar o PT, legenda a qual acusa de destruir o Estado de Minas Gerais. O ex-governador ainda fez críticas aos ministros do STF, acusando-os de terem “conexões” com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado em um esquema de fraudes no Banco Master. Zema responde por possível calúnia, em processo movido contra ele pelo ministro Gilmar Mendes. “Quero frisar: quem andou no jatinho do banqueiro bandido foi ele [Gilmar] e os colegas dele”, destacou. O candidato do Novo voltou a dizer que o Brasil precisa de um presidente que não tenha o rabo preso. “Um presidente que fica suscetível à chantagem, é o pior que pode acontecer para a sociedade, para uma nação. Infelizmente, é o que tem acontecido no Brasil”, ressaltou. Durante a entrevista coletiva, Zema voltou a criticar integrantes do STF e listou possíveis mudanças na forma de indicação e na composição da Corte, como o estabelecimento da idade mínima de 60 anos, além da criação de uma lista tríplice para o presidente da República indicar alguém para o posto. Emendas parlamentares Zema, afirmou que irá realizar "corte em tudo" para melhorar a situação fiscal do Brasil, como parte do seu plano econômico, e criticou as emendas parlamentares. "Nós vamos levar adiante, primeiro, corte em tudo. Tem desperdício em todas as áreas, mau uso de recursos. As emendas parlamentares são um mal que acomete o Brasil. Hoje, em Minas Gerais, nós conseguimos utilizá-las de maneira muito mais efetiva, até porque preparamos um grande cardápio com centenas de obras e passamos para os deputados", declarou o candidato a jornalistas. Zema apresentou, como outras pautas de seu plano econômico, a realização de uma reforma administrativa e a revisão da reforma da Previdência. A revisão de programas sociais também deve estar entre as propostas do candidato. Questionado se teria um nome para chefiar o diálogo da campanha com o mercado, o ex-governador de Minas Gerais respondeu que "o que importa [para o setor] são as propostas". Sobre nomes para chefiar as pastas de um eventual governo, Zema falou que deve repetir a experiência que teve para montar as secretarias durante a sua gestão no Estado mineiro. "Bom, mais do que nomes, o que importa são as propostas. O que nós vamos fazer para ministério é ir nessa linha, nomes bons, nomes que vão resolver os problemas do Brasil, e não ficar loteando secretarias e ministérios como é vício na política", disse o candidato. Zema afirmou que mantém posição contrária ao uso dos fundos partidário e eleitoral. Segundo ele, há valores “absurdos” destinados às campanhas, incompatíveis com a realidade de um país pobre. “Não tem nenhum país onde deputados, parlamentares e juízes ganham tantas vezes mais do que a média da população como o Brasil”, disse. Apesar do discurso contrário aos fundos, o Novo decidiu utilizar os recursos nesta eleição. De acordo com a legenda, o orçamento da campanha será de cerca de R$ 80 milhões. A justificativa é que o partido precisa “usar as mesmas armas dos adversários” para disputar a eleição. Indulto a Bolsonaro Zema deixou de responder diretamente se daria indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro, caso seja eleito. Bolsonaro está em prisão domiciliar após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado e outros crimes. O candidato do Novo, no entanto, sinalizou disposição para anistiar os envolvidos nos atos golpistas do 8 de janeiro de 2023. "Eu acho que houve um julgamento político e nós precisamos resolver esse problema. Temos que olhar para o futuro. Precisamos passar uma borracha nisso e falar que está resolvido", disse o candidato.