A expansão do crime organizado no Brasil é indissociável do controle que esses grupos exercem nos presídios, inclusive comandando, de dentro dessas instalações, atividades ilícitas externas.

Assim, realizar grandes operações policiais e prender infratores, mesmos os líderes desses grupos, não é suficiente. A inteligência investigativa passa a ser ainda mais importante.

A Lei Antifacção, aprovada em fevereiro, avança nesse sentido com dispositivos que permitem a gravação de conversas entre presos "vinculados a organizações criminosas ultraviolentas, grupos paramilitares ou milícias privadas e os seus visitantes". O monitoramento pode ser requerido pelo delegado de polícia, pelo Ministério Público ou pela administração penitenciária.

No caso de diálogos com advogados, o monitoramento só é permitido se houver "razões fundadas de conluio criminoso reconhecidas judicialmente".

Desde 2019, o diploma conhecido como Pacote Anticrime determina que prisões federais de segurança máxima devem dispor de monitoramento de áudio e vídeo em seus parlatórios (local de encontro com visitantes) —também exigindo autorização judicial no caso de advogados.