Organização Meteorológica Mundial destacou que os incêndios florestais liberam uma 'mistura tóxica' de poluentes capaz de comprometer a qualidade do ar a milhares de quilômetros de distância 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Bombeiro observa incêndio florestal na França: região de Bordeaux e Espanha enfrentam crise — Foto: Julien de Rosa/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 26/07/2026 - 08:08 Incêndios Florestais: Risco à Saúde e Como se Proteger da Fumaça A fumaça de incêndios florestais contém uma mistura tóxica de poluentes que compromete a qualidade do ar e afeta a saúde humana. Pessoas vulneráveis, como idosos e asmáticos, são especialmente impactadas. Segundo especialistas, a inalação dessas partículas pode desencadear problemas respiratórios e cardiovasculares. Máscaras FFP2 são recomendadas para proteção, além de práticas como limitar atividades ao ar livre. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quais são os riscos à saúde representados pela fumaça gerada pelas queimadas e incêndios florestais? Quem são as pessoas mais vulneráveis? O uso de máscaras é necessário? Veja um panorama das principais questões de saúde relacionadas aos grandes incêndios que atingem a Europa neste verão no Hemisfério Norte — e que devem começar em breve na Amazônia, especialmente em ano de El Niño. O que a fumaça contém? Os incêndios em áreas de vegetação liberam gases e partículas no ar que são perigosos para o organismo, lembra a Agência Nacional de Segurança Sanitária da França (Anses) em seu site. As partículas finas, em especial, são particularmente nocivas porque conseguem penetrar profundamente nos pulmões. O monóxido de carbono também é um dos principais poluentes gerados por esses episódios, destaca a agência, que lista entre as demais substâncias químicas presentes na fumaça o dióxido de carbono (CO₂), compostos orgânicos voláteis como acroleína, formaldeído e benzeno, além de compostos semivoláteis. A esses poluentes podem se somar outros quando veículos ou edifícios são atingidos pelo fogo. Quem corre mais risco? As pessoas que estão próximas ao incêndio podem apresentar sintomas respiratórios de irritação. Mas os efeitos vão muito além e atingem toda a população localizada na direção para a qual a fumaça é levada pelo vento e, portanto, exposta a ela durante várias horas ou até vários dias, dependendo das condições meteorológicas, explicou à AFP o pneumologista francês Bruno Crestani. Segundo ele, correm risco especial as pessoas vulneráveis, os idosos, aqueles com doenças respiratórias, os bebês e os asmáticos, porque essa exposição pode descompensar um quadro que antes estava controlado. Além disso, os efeitos não se limitam ao sistema respiratório, ressalta o especialista. Isso porque essas partículas podem entrar na corrente sanguínea e até desencadear determinados processos, como descompensar o diabetes, provocar um acidente vascular cerebral (AVC) ou um infarto, além de afetar mulheres grávidas. Tudo isso ocorre porque essas partículas são muito leves e podem percorrer distâncias muito longas. Em setembro de 2025, a Organização Meteorológica Mundial destacou que os incêndios florestais liberam uma "mistura tóxica" de poluentes capaz de comprometer a qualidade do ar a milhares de quilômetros de distância. Segundo a agência da ONU, os incêndios registrados no Canadá em 2024 provocaram poluição atmosférica que chegou até a Europa. Outro exemplo, citado pela Oxfam França em um relatório publicado no início de julho, mostra que os megaincêndios ocorridos na região de Landes, no sudoeste da França, em 2022, deterioraram a qualidade do ar até Yvelines, nos arredores de Paris, a mais de 500 quilômetros de distância. Quais riscos específicos os bombeiros enfrentam? A Anses chama atenção para os efeitos sobre os bombeiros, expostos diretamente durante o combate às chamas, mas também de forma indireta após a extinção do incêndio, durante as fases de monitoramento, investigação e remoção de escombros, além do retorno aos quartéis, devido à contaminação de equipamentos, materiais e veículos pela fuligem e pela água utilizada no combate ao fogo. Qual é o impacto sobre a mortalidade? No fim de 2025, a revista The Lancet estimou, em seu relatório anual sobre os riscos das mudanças climáticas para a saúde, que 154 mil mortes em todo o mundo estavam relacionadas à poluição por partículas finas provenientes da fumaça de incêndios florestais. Na França, a Oxfam estima que a poluição do ar causada por incêndios florestais esteja associada a cerca de 2.800 mortes prematuras por ano. Máscaras, ventilação... Como se proteger? O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, anunciou o envio de 1,5 milhão de máscaras FFP2 para o departamento de Gironde, onde ocorre um incêndio de magnitude sem precedentes. A Anses recomenda o uso dessas máscaras por todas as pessoas vulneráveis expostas à fumaça. A agência também orienta que essas pessoas procurem um médico da atenção primária ou até mesmo os serviços de emergência caso apresentem sintomas ou dificuldades respiratórias. — Elas não oferecem proteção de 100%, mas proporcionam uma proteção significativa — afirma o professor Bruno Crestani. Nas áreas que não foram evacuadas, a Anses recomenda limitar os deslocamentos e o tempo de permanência ao ar livre, manter portas e janelas fechadas e ventilar os ambientes apenas quando as condições permitirem, cobrir as entradas de ar com panos úmidos, desligar os sistemas de ventilação mecânica controlada (VMC) durante os episódios de fumaça e evitar a prática de atividade física ao ar livre na região.
Incêndios florestais e queimadas: qual é o impacto da fumaça na saúde? Tire suas dúvidas
Organização Meteorológica Mundial destacou que os incêndios florestais liberam uma 'mistura tóxica' de poluentes capaz de comprometer a qualidade do ar a milhares de quilômetros de distância









