Uma nova onda de calor deve se espalhar por grandes áreas da Europa nesta semana, marcando o quarto período de calor extremo no continente desde maio. A sequência implacável de altas temperaturas ajudou a alimentar incêndios florestais mortais em partes da Europa ocidental e meridional, forçando centenas de milhares de pessoas a evacuar e destruindo milhares de hectares de terra. O mais recente episódio de calor deve começar na segunda-feira. Em meados da semana, partes da Europa ocidental podem registrar temperaturas de até 40 graus Celsius ou mais, segundo meteorologistas. Meses de ondas de calor repetidas, combinados com a falta de chuvas significativas, deixaram a vegetação seca como palha em grande parte da região, criando condições ideais para incêndios florestais de propagação rápida. Até domingo, mais de 300 mil pessoas haviam sido forçadas a evacuar ou se abrigar, enquanto centenas de bombeiros combatiam incêndios perto de grandes cidades na França e na Espanha. Na Itália, incêndios têm devastado a Sicília e a Calábria, no sul do país. Um avião especial de combate ao fogo lança água e retardante de chamas em San Martin de Valdeiglesias, a 70 quilômetros de Madri — Foto: AFP No Reino Unidos, moradores da Escócia puderam retornar às suas casas no sábado, depois que mais de 500 bombeiros passaram 10 dias combatendo um incêndio florestal no Parque Nacional de Cairngorms. Detalhes da previsão O mais recente período de calor na Europa ocidental pode não ser tão excepcional quanto as temperaturas recordes de junho, mas meteorologistas afirmaram que ele deve agravar uma situação de incêndios florestais já perigosa. Segundo o Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais, partes do sudoeste da França e do norte da Espanha devem permanecer sob "condições de incêndio muito extremas" — a categoria mais alta em sua previsão de risco de incêndio — pelo menos até quarta-feira. O perigo extremo de incêndio se estende por grande parte da Península Ibérica, oeste e centro da França, norte da Finlândia e partes dos Bálcãs ocidentais, enquanto um alerta de risco muito alto cobre áreas da Europa central e partes da Turquia. A Météo-France, agência meteorológica francesa, disse que o risco de incêndio diminuiu ligeiramente no sábado, depois que tempestades ocasionais e severas varreram o sul da França. Mas os meteorologistas alertaram que ventos regionais secos e fortes no domingo e na segunda-feira elevariam rapidamente o risco, à medida que uma nova onda de calor se desenvolve no país e faz as temperaturas subirem a até 40 graus Celsius. Uma das áreas mais afetadas será Bordeaux, no sudoeste, que já enfrenta um grave incêndio florestal que forçou centenas de milhares de pessoas a evacuar. Na Espanha, meteorologistas da AEMET, o serviço meteorológico nacional, disseram que o risco de incêndio deve diminuir ligeiramente no domingo na maior parte do país. No entanto, condições de risco muito alto ou extremo devem persistir no leste e no sul da Espanha, com temperaturas que devem ultrapassar os 40 graus Celsius no sul durante a próxima semana. Portugal deve registrar temperaturas em torno de 40 graus Celsius a partir de segunda-feira, especialmente no sudeste. O serviço meteorológico do país, o IPMA, emitiu seu alerta mais alto de risco de incêndio para partes do sul de Portugal, junto com uma ampla faixa de regiões centrais e do norte, até quarta-feira. Aquecimento acelerado Embora o grau em que um único evento de calor é influenciado pelas mudanças climáticas exija estudos específicos de atribuição, os cientistas têm certeza de que as ondas de calor ao redor do mundo estão, de modo geral, se tornando mais quentes, mais frequentes e mais duradouras, e a Europa está esquentando mais rápido do que qualquer outro continente. Em 2025, quase todo o continente registrou temperaturas acima do normal. Pesquisadores estimam que, nos últimos anos, dezenas de milhares de mortes relacionadas ao calor ocorreram anualmente na Europa. Muitas casas, escolas e empresas em todo o continente foram construídas para um clima mais frio. No Reino Unido, muitas foram até construídas para reter calor, o que torna especialmente difícil se refrescar durante as ondas de calor. O ar-condicionado não é uma solução rápida. Na França, a instalação desses sistemas se tornou um ponto de tensão política, enquanto no Reino Unido os altos preços da energia desencorajam muitos. Mesmo em cidades mediterrâneas tipicamente mais quentes, onde pátios internos à moda antiga, venezianas pesadas e fachadas de pedra branca são projetados para manter as casas frescas, muitos edifícios mais novos foram construídos com técnicas que retêm o calor.
Europa recebe alerta de piora do calor nos próximos dias
Continente sofrerá a quarta onda extrema desde maio. Risco de incêndios florestais aumenta









