Nas últimas semanas, Portugal foi relativamente poupado da segunda onda de calor, a mais severa da história, que assolou a Europa. Essa sorte, disseram cientistas, já acabou. A terceira canícula do ano já se instala no continente, levando Lisboa a decretar alertas, tomar medidas e a solicitar ajuda dos vizinhos para conter incêndios florestais.

"Situação excepcional", afirmou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, ao justificar um pedido antecipado de suporte aéreo para Marrocos, Espanha e União Europeia. Quase 3.000 bombeiros foram mobilizados, proibições na agricultura e no manejo de florestas entraram em vigor. Com termômetros a 40°C em algumas regiões, seis pontos de queimada já eram combatidos desde sexta-feira (3).

Montenegro segue à risca o roteiro adotado pela maioria dos governantes europeus no mês passado, o junho mais quente da história no Reino Unido, na França e na Suíça. Trata-se de ação antes de qualquer tipo de discussão. Paris foi o exemplo mais eloquente. Impôs uma série de restrições na cidade, da circulação de veículos à venda de cerveja.

E com uma justificativa simples: os hospitais estavam lotados.

"Uma das grandes mudanças que vimos nos últimos dez anos e estamos confirmando agora em muitas partes da Europa é a transição do calor como ameaça pessoal, de algo que você lida individualmente, para o calor como ameaça pública", diz Ruth Engle, cientista de dados do World Resources Institute (WRI).