A diversidade linguística do planeta se desenvolveu seguindo uma espécie de montanha-russa nos últimos milênios, crescendo em ritmo acelerado depois que os seres humanos aprenderam a domesticar animais e plantas e iniciando seu declínio apenas depois que os primeiros grandes impérios surgiram.
Esse cenário surpreendente vem de modelos computacionais criados por uma equipe que inclui tanto linguistas quanto pesquisadores da área de ciências exatas.
Em artigo publicado na última quinta-feira (23) no periódico especializado Science, o grupo estima que, entre 3.000 e 1.000 anos atrás (mais ou menos o período que vai da Idade do Bronze até a primeira parte da Idade Média), as línguas da Terra teriam alcançado seu pico de diversidade. Nessa fase, o planeta contaria com dezenas de milhares de idiomas, enquanto hoje existem apenas cerca de 7.000 línguas.
O trabalho foi liderado pelo físico argentino Damián Blasi, da Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, e teve de se basear numa série de pressupostos teóricos, já que é impossível fazer um censo dos idiomas do passado remoto sem a ajuda da escrita, que só começou a ser usada pouco antes do ano 3000 a.C.
Na outra ponta, levando em conta o mundo atual, há muito menos incerteza, é claro. Além da estimativa de cerca de 7.000 línguas, sabemos que os últimos séculos foram marcados pela expansão de línguas coloniais de origem europeia, como o inglês, o espanhol e o português, bem como pelo crescimento de um punhado de línguas asiáticas com grandes populações, como o mandarim, da China.











