[RESUMO] O texto apresenta a recepção da obra do filósofo marxista Mark Fisher no Brasil e articula sua trajetória intelectual, de "Realismo Capitalista" a "O Estranho e o Sinistro", seu livro mais recente publicado no país. A autora argumenta, com comentadores, que Fisher une cultura pop e sofrimento psíquico em sua crítica anticapitalista. Traz ainda a ideia de assombro e futuros perdidos como chave de leitura de sua teoria.

Numa quarta-feira de maio em São Paulo, algumas dezenas de pessoas lotaram a pista do Sol Y Sombra, uma casa de temática latino-americana no Bixiga, para assistir a um filme sobre o filósofo britânico Mark Fisher. Antes do início da exibição, uma das organizadoras da sessão, promovida pelo Berta Coletivo Latinoamericanista, contou que o longa foi cedido gratuitamente pelos diretores.

Uma espécie de misto entre documentário e ficção, "We Are Making a Film About Mark Fisher" conta a história do autor marxista que, em 2009, lançou o renomado "Realismo Capitalista" —uma espécie de manifesto que questiona a incapacidade da esquerda britânica de imaginar futuros para além do capitalismo.

Inicialmente recebido de forma discreta por público e crítica, o livro virou um clássico contemporâneo para a esquerda mundialmente —e, recentemente, Fisher vem se tornando um autor lido e discutido também no Brasil.