Grazzi Brasil ganhou projeção nacional ao interpretar, no Carnaval de 2017, o samba-enredo da Vai-Vai em homenagem a Mãe Menininha do Gantois. Aos 29 anos, estreava na avenida de São Paulo como intérprete oficial e, para uma artista profundamente ligada às religiões de matriz africana, cantar um enredo dedicado a uma das mais respeitadas ialorixás do País foi, como ela define, uma grande bênção.

No ano seguinte, veio outra estreia: o sambódromo do Rio de Janeiro. Mais uma vez, a espiritualidade parecia conduzir seu caminho. Grazzi interpretou pela São Clemente um samba-enredo assinado, entre outros, por Moacyr Luz, considerado um dos mais marcantes dos últimos anos. Depois, emprestaria sua voz a outras escolas de destaque, como a própria São Clemente e a Terceiro Milênio.

Mas abrir espaço para mulheres na função de intérprete oficial nunca foi simples.

“Antes de mim vieram Eliana de Lima, Bernadete…”, lembra, em entrevista a CartaCapital, ao citar algumas das poucas mulheres que ocuparam o posto de puxadora de samba-enredo na avenida.

“Não é fácil e não sei se um dia será. Ser mulher nesse meio é muito difícil, mas sou muito grata ao Carnaval porque foi através dele que muitas coisas aconteceram na minha vida”, afirma. “É uma grande responsabilidade e uma luta enorme. É um meio muito masculino. Tem que se impor.”