Cenógrafa, que já trabalhou com Maria Bethânia e Paula Fernandes, diz ter recebido resposta com menção a Roberto Carlos e afirma que o país ainda não está pronto para mulheres como ela Gigi Barreto na sala de sua casa, no Rio — Foto: Leo Martins Gigi Barreto, de 50 anos, reconhecida cenógrafa que já assinou trabalhos com Maria Bethânia, Mumuzinho, Paula Fernandes e Adriana Calcanhotto — além de transitar de William Shakespeare ao Buraco da Lacraia — resolveu expor nas redes uma situação que muita gente conhece, mas pouca gente conta: a famosa “bola preta” em clubes tradicionais do Rio. Num vídeo publicado no Instagram (que você vê ao final da nota), ela relata ter sido barrada na tentativa de se tornar sócia do Iate Clube do Rio de Janeiro, na Urca, onde pretendia entrar com o marido e as duas filhas. Ao pedir uma explicação por e-mail, recebeu uma resposta atravessada: “Assim como não tive que justificar o motivo para o Roberto Carlos, não preciso te responder”. No vídeo, Gigi mistura o episódio com a própria história. “Sou uma mulher cis, casada com um nova-iorquino naturalizado nessas terras tropicais”, conta. Filha de um cearense semianalfabeto que chegou ao Rio em 1962 vendendo cachorro-quente e depois ajudou a transformar a orla da Barra da Tijuca com seus quiosques, ela fala com orgulho da trajetória da família. A mãe, lembra, mantinha a casa sempre aberta — acolhendo gays e travestis. “Meu país é de Antonio Carlos Jobim, Ariano Suassuna, Maria da Penha, Ayrton Senna, Tarsila do Amaral e Conceição Evaristo”, diz, entre outros nomes. Ela também liga o episódio a um post recente: uma festa em casa com amigos e drags de Shakira e Lady Gaga — e com direito a apelo para que o prefeito traga Beyoncé ao Rio. “Achava que em 2026 o Brasil já estaria preparado para conviver pacificamente com mulheres como eu”, diz. E termina com um apelo para que as pessoas pensem bem em quem vão votar nas próximas eleições.
Gigi Barreto expõe 'bola preta' após tentativa de virar sócia de clube no Rio
Cenógrafa, que já trabalhou com Maria Bethânia e Paula Fernandes, diz ter recebido resposta com menção a Roberto Carlos e afirma que o país ainda não está pronto para mulheres como ela







