Em turnê com o celebrado álbum "Rock doido", cantora prepara shows no exterior, participa de filme e celebra autoestima e cuidados com a saúde Gaby usa casaco Fauve, meia-calça Calzedonia, sapatos Louboutin — Foto: Mateus Augusto Rubim RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 18:14 Gaby Amarantos celebra solteirice e sucesso com "Rock doido" Gaby Amarantos celebra sua fase solteira ao mesmo tempo que brilha com a turnê do álbum "Rock doido". Com shows no Brasil e planos internacionais, a artista paraense destaca a importância de suas raízes e o sucesso do tecnobrega, que já atrai atenção global. Passando por uma transformação pessoal e cuidando da saúde, Gaby também participa do filme "Maravilha" e mantém uma forte rede familiar, equilibrando carreira e vida pessoal. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO É noite de sábado, e a plateia do Vivo Rio, no Aterro do Flamengo, tem altas expectativas em torno da estreia carioca da turnê de “Rock doido”. O show do mais recente álbum de Gaby Amarantos é a atração principal do Queremos! Festival. Ela, então, sobe ao palco, e um frenesi toma o público tão logo os primeiros graves explodem das caixas de som. Todos chacoalham os ombros no ritmo do batidão paraense que jorra do mais ambicioso projeto da cantora em 30 anos de carreira. “É o maior em todos os aspectos, desde a dedicação pessoal aos investimentos e alcance. São mais de 300 pessoas envolvidas. É uma vitória colocar esse show no palco sendo artista independente.” Lançado no ano passado, o disco causou burburinho juntamente com uma versão em vídeo de quase 25 minutos, filmada em um único plano-sequência com câmera de celular. Em cena, um compilado de coreografias, apresentações de grupos de dança, pirotecnia e aparelhagens de som. “Sabíamos que estávamos fazendo algo revolucionário, mas não imaginávamos causar tanto impacto na indústria”, diz a cantora nascida em Belém do Pará. “Recebo mensagens de uma galera gringa impressionada. Chamamos a atenção de pessoas acostumadas a fazer algo dessa proporção com a estrutura de Hollywood. Mas sou fruto da pirataria e da gambiarra, do ‘vamos fazer com o que temos’. E, agora, consigo sentar no trono desse lugar.” A resposta veio também em forma de troféus, como o APCA 2026 de melhor disco e o Brega do Ano no último Prêmio Multishow, para o qual foi indicada em cinco categorias. Os números vão na mesma direção: “Foguinho”, o maior hit até agora, passa de 11 milhões de plays no Spotify, e “Rock doido (o filme)” caminha para dois milhões de visualizações no YouTube. Sucesso estampado, ainda, nas camisetas temáticas vendidas pela marca paraense Pink Boto, esgotadas a cada reposição de estoque. “É a primeira vez que faço merchan e tenho essa lacuna de autoestima artística preenchida. Essa coisa de ter uma camiseta com uma foto minha para as pessoas comprarem, assim como um vinil bem lindo. É um momento de muita plenitude. Algo do tipo ‘finalmente a aclamação veio’, sabe?”, celebra. Enquanto roda o Brasil com a turnê (ela volta ao Rio para o festival Rock The Mountain, em outubro), Gaby negocia shows internacionais para o segundo semestre. “É um som global e tem muita gente de olho na cultura brasileira lá fora. Sinto o ‘Rock doido’ como a nossa próxima música para exportação”, aposta. Um voo decolado sem escalas para concessões. Os olhos e os ouvidos, ela diz, estão voltados para dentro. “Já pensei em cantar em inglês ou espanhol, o que não seria um problema. Mas, quando olhei para a minha raiz, entendi que o meu ouro está aqui.” Um processo um tanto antropofágico, a própria artista reconhece. O tecnobrega do “Rock doido”, afinal, está cheio de referências ao pop internacional, como Beyoncé e Michael Jackson, além de ritmos árabes e indianos. “Deglutimos tudo isso e devolvemos molhado no jambu e nas águas dos nossos rios. Damos um jeito de ‘amazonizar’ as inspirações, antes de entregá-las ao mundo”, define. “E é isso que vem sendo reconhecido lá fora.” Gaby ganhou o grande público brasileiro já com o primeiro álbum de estúdio, “Treme” (2012), cujo hit “Xirley” incendiou pistas de dança pelo país. Desde então, mantém o ritmo ascendente com marcos como o Grammy Latino na categoria “Melhor álbum de música de raízes em língua portuguesa”, conquistado em 2023 com “TecnoShow”, e a apresentação no Global Citizen Amazônia, antes da COP30, no ano passado. Coleciona também colaborações com outros grandes nomes da música brasileira, como Ney Matogrosso, Dona Onete e Luedji Luna, esta uma fã inveterada da paraense. “É uma força da natureza”, resume a colega. “Sempre fugiu do óbvio, colocou sua origem em primeiro lugar para que o Brasil e o mundo reconhecessem e entendessem o Norte do país e o seu Pará.” O talento reverbera também no campo da dramaturgia. Depois de atuar na novela “Além da ilusão” (2022), da TV Globo, Gaby gravou, recentemente, participação no filme “Maravilha”, dos Estúdios Globo, ainda sem previsão de lançamento. O longa retrata o universo do tecnobrega, e a cantora representa a si mesma na trama. “As músicas dela nos inspiraram, e decidimos homenageá-la”, conta o diretor, Pedro Brenelli, feliz com o desempenho da convidada. “Já tinha assistido às performances musicais e a vejo como uma artista completa, com excelência na atuação. Tem muita sensibilidade e entendimento da cena.” A euforia de toda essa trajetória explode no palco de “Rock doido”, onde tudo segue por um ritmo frenético e calculadamente caótico, entre imagens que pulsam nos telões de LED, pirotecnia, coreografias e oito trocas de roupa. E a cantora afirma que, quando acaba a apresentação, sente-se pronta para fazer tudo de novo. Palavras de quem está com o fôlego e o físico em dia. Aos 47 anos, passou por uma readequação quanto aos cuidados com a saúde, desde que se sentiu mal com um figurino em forma de nave espacial, numa apresentação. “Não consegui permanecer dez minutos com aquela peça porque fiquei ofegante e com um incômodo nos joelhos”, recorda-se. “Ali, pensei: ‘Opa! Agora vou ter que levar a sério esse bagulho de me cuidar.” A mudança somente se concretizou, segundo ela, quando começou a se exercitar cotidianamente com personal trainer e receber orientação nutricional. “Venho de um processo longo. Fiz parte do ‘Medida certa’ (quadro sobre saúde e perda de peso do Fantástico exibido em 2013). Depois, quando chegaram as primeiras canetas emagrecedoras, usei várias, mas veio o rebote e engordei. Entendi que precisava cuidar disso com paciência, senão ia ficar nessa sanfona”, conta. “Estou me achando incrível. Precisamos voltar três casas nessa coisa de achar que está tudo certo em estar acima do peso, porque não é bem assim. Enquanto eu estava saudável, tudo bem. Mas, quando vieram os primeiros alertas, decidi mudar.” O emagrecimento causado pela nova rotina apareceu logo depois de Gaby anunciar o fim do casamento de dez anos com o fotógrafo inglês Gareth Jones, em 2024. Um prato cheio para especulações de que o término estaria por trás das mudanças físicas. “Mas eu me separei porque quis. Estávamos vivendo um relacionamento em que não estávamos felizes. Então, decidimos ter essa responsabilidade afetiva”, comenta. “Nos amamos e continuamos amigos. Esperamos dois anos para tornar o fim público e, por coincidência, emagreci nesse período.” A fila, de todo modo, sempre anda e, como ela canta na faixa “Eu tô solteira”, uma das mais populares do novo disco, “ninguém tá na geladeira”. “Larguei a mão do volante e estou deixando a vida seguir. Porém, tem sido muito bom aproveitar a paz trazida pela solitude”, reconhece, confidenciando como andam os “contatinhos”. “O que vier e me atrair é legal, mas não vou negar que os ‘novinhos’ estão entregando tudo. Quando são conscientes, têm o seu valor.” Gaby, contudo, não condiciona a beleza e a autoestima às recentes mudanças. Filha de uma professora e um bancário, ela foi criada numa família essencialmente matriarcal e teve uma formação livre de opressões. “Cresci cercada por mulheres negras e ribeirinhas. Havia uma consciência racial. Quando comecei a ir para o Sudeste, na época do ‘Ex mai love’, precisei alisar o cabelo e usá-lo louro. Tive que me embranquecer para ser aceita. Mas fazia isso com muita consciência. Sabia que, depois, ia poder mostrar quem eu sou. Minha mãe e minhas tias me ensinaram essas estratégias de sobrevivência, mas num lugar de entender a minha potência e saber criar ferramentas para brilhar.” Esta mesma base se desdobra agora na formação das novas gerações da família, numa parceria estabelecida com a irmã, Gabriele. Gaby é mãe de Davi, de 17 anos, cujo pai “sumiu e nunca mais apareceu”. Gabriele, por sua vez, deu à luz Adriele, de 20 anos, e Ana Vitória, de 8. “Juntamos os três filhos e estabelecemos uma maternidade compartilhada. Depois, com a morte do meu irmão, Gabriel, passamos a cuidar também do Rui, filho dele, de 9”, explica a cantora. “É algo que vem muito da cultura da mulher periférica brasileira e das indígenas, em que todas de uma determinada comunidade cuidam das crianças.” Ter se fortalecido a partir dessa rede sólida faz com que a artista desbrave o mundo sem deixar as raízes para trás. Com casas no Rio, São Paulo e Belém, ela segue como figura frequente no bairro de Jurunas, onde foi criada, na capital paraense. “Ainda vou ao mesmo Gilson Lanches frequentado desde a adolescência, à igreja onde comecei a cantar e à escola de samba da minha família”, diz, sobre uma rotina que pretende levar adiante, por mais ambiciosos que sejam os planos para a carreira. “Quero estar igual à Madonna, lançando álbum e pegando as pessoas de surpresa, assim como a Dona Onete e a Fernanda Abreu.”
Gaby Amarantos celebra fase solteira: 'Os novinhos estão entregando tudo'
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