Substituto de Fernando Haddad na Fazenda, Dario Durigan atuou como bombeiro na campanha para a reeleição do presidente Lula, na tentativa de apagar os ruídos provocados por conversas de bastidores de representantes da Faria Lima com Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo.

O ministro buscou consertar o "efeito Gabrielli" ao afirmar que o governo não pretende adotar medidas de controle de capitais. Para completar, disse que vai "melhorar o fiscal, custe o que custar" ao defender medidas para conter as despesas obrigatórias.

Só a necessidade de dar explicações para contrapor o que disse Gabrielli sobre questões tão básicas a fim de evitar que o caldo entorne em 2027 mostra que a divisão no governo sobre os rumos da política econômica segue presente. Haddad encarou essa disputa.

É por isso que as palavras de Durigan soam vazias para os analistas que buscam respostas sobre como será a economia num eventual quarto mandato de Lula. As declarações revelam o que há de retrógrado no governo: a aposta em medidas que deram errado e que fecham as portas para o novo.

Não há espaço nem para discutir inovações com o objetivo de cortar despesas que são ineficientes. É desolador que a essa altura achem que consertar as contas públicas não é prioridade, mas sim submissão ao mercado, e que o problema seja a "centralidade da política de juros", como sugeriu Gabrielli.