A China lançou na semana passada uma organização para governar a inteligência artificial, com 29 países fundadores. A Organização Mundial de Cooperação em Inteligência Artificial tem sede em Xangai e vai reunir países que incluem Indonésia, Malásia, África do Sul, Senegal, Rússia e o próprio Brasil.

Xi Jinping vendeu a ideia em um discurso defendendo que "nenhum país deve dominar" a tecnologia e que o modelo de código aberto impulsionado por big techs chinesas é uma "oportunidade histórica" de cooperação com a África, a América Latina e a Ásia.

A carta de fundação promete coordenar a regulação de IA entre os membros, mas não traz fundo de computação nem transferência de chips.

Arindrajit Basu, do Centro para Internet e Sociedade da Índia, descreveu a estratégia como o momento em que a diplomacia chinesa deixa de exportar apenas infraestrutura e padrões técnicos e passa a disputar as regras e instituições que governam a IA.

Basu descreve um cenário em que Washington recuou das normas cibernéticas e cortou o financiamento da diplomacia digital. Pequim buscou a adesão do chamado Sul Global a uma governança centrada no Estado, criando uma coalizão que servirá para ampliar sua rede de centros de cooperação em IA e pautar discussões na ONU.