Líder chinês afirmou que o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial deve ser uma "sinfonia de colaboração global" 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Xi Jinping discursou no início da conferência mundial de inteligência artificial em Xangai nesta sexta-feira — Foto: Pool/Foto de Ng Han Guan RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 13:31 Xi Jinping Defende Cooperação Global para Futuro da Inteligência Artificial Xi Jinping defendeu uma abordagem aberta e colaborativa para o futuro da inteligência artificial (IA), destacando a China como aliada dos países em desenvolvimento. Em conferência em Xangai, ele enfatizou a necessidade de cooperação global e compartilhamento de tecnologia aberta para evitar novas injustiças históricas. A China busca reduzir a distância dos EUA em IA, apesar de ainda estar atrás em chips avançados. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente chinês, Xi Jinping, afirmou nesta sexta-feira que seu país pretende ajudar a definir os rumos da inteligência artificial, apresentando a China como defensora de uma abordagem aberta para a tecnologia e como uma aliada confiável dos países em desenvolvimento no avanço da IA. As declarações do líder chinês destacaram a forma como a China pretende disputar a liderança em inteligência artificial com os Estados Unidos, embora Xi não tenha mencionado o país diretamente. Falando em uma conferência sobre IA em Xangai, Xi afirmou que "o desenvolvimento da inteligência artificial não deve ser uma apresentação solo de um único país, mas uma sinfonia de colaboração global." Ele descreveu a tecnologia de IA de código aberto — na qual grande parte do software pode ser compartilhada e modificada livremente — como uma "oportunidade rara e histórica" para disseminar os benefícios da inteligência artificial em todo o mundo. Segundo ele, essa tecnologia precisa ser compartilhada com os países em desenvolvimento; caso contrário, haverá o risco de surgirem "novas injustiças históricas." A visão do presidente chinês também é, sem dúvida, guiada pelo interesse nacional. De modo geral, considera-se que a China ainda esteja atrás dos Estados Unidos em inteligência artificial, mas vem reduzindo essa diferença. Isso é particularmente evidente nos softwares de código aberto desenvolvidos pelas principais empresas chinesas de IA, como DeepSeek, Moonshot e Zhipu. Os sistemas de IA dessas empresas estão diminuindo a distância em relação aos principais chatbots e programas de perguntas e respostas dos Estados Unidos, incluindo o ChatGPT, da OpenAI, o Claude, da Anthropic, e o Gemini, do Google. As empresas americanas, que investiram muitos bilhões de dólares no desenvolvimento de seus modelos de ponta, não disponibilizam sua tecnologia gratuitamente. Elas também acusam empresas chinesas de se apropriarem indevidamente de suas tecnologias. Além disso, a China ainda está significativamente atrás no desenvolvimento dos chips mais avançados para IA, um mercado dominado pela Nvidia. O discurso de Xi na abertura de uma conferência sobre inteligência artificial em Xangai ocorreu enquanto a China busca ampliar o apoio à sua Organização Mundial para Cooperação em Inteligência Artificial (World AI Cooperation Organization). Segundo o governo chinês, o grupo foi criado há um ano, em parte para dar aos países em desenvolvimento maior participação na governança da IA. Em seu pronunciamento, o presidente chinês também afirmou que a China pretende oferecer sua tecnologia e treinamento em inteligência artificial aos países em desenvolvimento que mantenham relações amistosas com Pequim. —Devemos defender a abertura e a cooperação mutuamente benéfica — declarou. A atuação internacional da China busca complementar suas ambições domésticas na área de IA. Xi tem incentivado o país a "ocupar as posições de comando" da tecnologia, tendo a inteligência artificial como prioridade. No entanto, a IA, dependendo da velocidade e da profundidade de sua evolução, representa um dilema para o Partido Comunista Chinês. Como administrar o avanço de uma tecnologia que, um dia, poderá ser tão transformadora a ponto de ameaçar seus interesses — e seu controle sobre o poder? A regulamentação chinesa da inteligência artificial variou em intensidade ao longo dos anos, de acordo com a avaliação do governo sobre os pontos fortes e fracos do país nesse setor. Quando o governo chinês temeu ter ficado para trás em relação aos Estados Unidos em 2022, após o lançamento do ChatGPT, adotou uma postura mais flexível, o que acabou permitindo que empresas como a DeepSeek e outras prosperassem. Ao mesmo tempo, pesquisadores documentaram esforços do governo chinês para monitorar e influenciar a opinião pública em Hong Kong e Taiwan por meio de empresas especializadas em inteligência artificial. Já as Filipinas condenaram, nesta sexta-feira, como racista um vídeo gerado por IA e publicado por um veículo estatal chinês, que retratava o país do Sudeste Asiático como um macaco cantando em um karaokê e agindo em favor dos interesses dos Estados Unidos e do Japão.