O desejo, a intimidade e o afeto costumam ser retratados nos palcos sob uma ótica quase homogênea. No entanto, o que acontece quando esses mesmos temas ganham vida a partir de corpos que a sociedade, historicamente, tenta invisibilizar? É essa a provocação central de "Meu Corpo Está Aqui", montagem premiada que cumpre temporada de 23 de julho a 9 de agosto no Sesc 24 de Maio, em São Paulo, propondo um debate direto sobre a sexualidade de pessoas com deficiência.
Vencedora dos prêmios FITA e APTR e indicada ao Prêmio Shell, a peça rompe barreiras ao colocar atrizes e atores PCDs no centro da narrativa —não sob o estigma da limitação, mas sob a ótica do protagonismo, da autonomia e da expressão plena de suas vivências.
Idealizado por Julia Spadaccini e Clara Kutner, o espetáculo constrói sua dramaturgia a partir de um mergulho nas histórias pessoais do próprio elenco, formado por Bruno Ramos —artista surdo usuário de Libras—, Juliana Caldas —atriz com nanismo—, Pedro Fernandes —ator com paralisia cerebral— e Sara Bentes —artista com deficiência visual.
As memórias reais dos atores serviram de matéria-prima para a criação de relatos ficcionalizados que abordam, sem rodeios, as descobertas e as barreiras da vida amorosa. Para Julia Spadaccini, que também é uma pessoa com deficiência auditiva e assina o texto, o ponto de partida do projeto nasceu ao notar a falta de representatividade real e humana desses corpos na arte.






