Certa vez, Wilson Ney perguntou a um menino mestre-sala qual samba do Carnaval de Porto Alegre conhecia. A resposta emocionou o músico, que ouviu uma composição que havia criado em 1972. Em lágrimas, percebeu naquele gurizinho, que mal tinha oito anos, que sua obra era transmitida de geração em geração.
Enquanto tantas famílias fugiam do calor úmido de Porto Alegre no verão, a praia da família de Wilson estava no Carnaval. E assim foi por décadas, como compositor e diretor de harmonia em diferentes agremiações e como comentarista da rádio Gaúcha, uma das principais do Rio Grande do Sul.
Foram cerca de 500 canções ao longo da vida, segundo estimativas do próprio artista. A lista inclui alguns dos sambas mais tradicionais (e vencedores) do Carnaval porto-alegrense e obras gravadas por grandes nomes da música nacional, como Elza Soares ("Lá vem você"), Leci Brandão ("Marca-passo") e Neguinho da Beija-Flor ("Poxa vida" e "Recomeçar"). Por muitos, era chamado de poeta.
Embora mais associado ao samba, Wilson gostava de compor especialmente canções românticas. O processo começava um pouco do nada, e não era abandonado até a conclusão. Ele até sonhava com novas melodias. Por isso, mantinha um gravador por perto.










