Especialistas ouvidos pela Folha avaliam que a divulgação prévia dos bairros onde ocorrem as pesquisas eleitorais pode provocar insegurança jurídica e a contaminação político-partidária nas sondagens.

O presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Kassio Nunes Marques, prepara um novo modelo de registro para pesquisas eleitorais, em que os institutos têm de detalhar o local das entrevistas e o perfil do eleitor entrevistado. Kassio sinalizou a interlocutores que considera o protocolo atual genérico. Ele argumenta que quer ampliar a transparência do processo, com a divulgação de tais dados à população.

No formulário atual, enviado para registro no TSE, os institutos devem informar, entre outros dados, o número de entrevistas, o percentual de homens e de mulheres entrevistados e qual a faixa etária deles.

A iniciativa de agora é mais um capítulo de uma investida de Kassio sobre o tema, após uma decisão que censurou um levantamento Atlas/Bloomberg e a proposta de um "selo de acurácia" para os institutos que publicarem pesquisas com resultados próximos ao apurado nas urnas.

Segundo o advogado eleitoralista Helio Silveira, a ideia de Kassio poderia ter sido discutida antes, uma vez que o processo eleitoral já está em curso, com as convenções partidárias. "Se divulgo previamente o local, as campanhas e as pessoas mal intencionadas podem influenciar o resultado da pesquisa", avalia Silveira.