O Tribunal Superior Eleitoral exerce papel essencial na garantia de eleições livres, limpas e confiáveis. É positiva a mobilização do TSE pela transparência e pelo aprimoramento metodológico das pesquisas. A reunião e o diálogo promovidos pela corte com os institutos é louvável e estamos à disposição para conversar e construir soluções.

As propostas partem de uma intenção legítima: estimular qualidade, transparência e confiança. Precisamos, porém, avaliar seus efeitos, evitando que mecanismos criados para fortalecer as pesquisas comprometam sua integridade científica.

Esse cuidado se aplica especialmente à eventual criação de um selo de qualidade para quem chega mais perto do resultado final das urnas. Pesquisa não é um instrumento sobre o que vai acontecer. É um diagnóstico sobre o que já aconteceu: registra as opiniões manifestadas durante a coleta. Reportam intenções de voto e a visão do eleitor sobre o momento político.

Até o momento de digitar o número na urna, eleitores podem mudar de posição, indecisos podem se decidir e campanhas podem alterar o ambiente eleitoral.

Também merece cautela a proposta de divulgar previamente os locais das entrevistas. Ao saber onde ocorrerá a coleta, candidatos, partidos, militantes ou grupos organizados podem concentrar ações nesses pontos. Mesmo legítimas, essas mobilizações alteram o contexto social, podem influenciar entrevistados e comprometer a amostra.