Conhecido por seu trabalho no campo da economia e da globalização, autor de "A ascensão do dinheiro" e estrela da Universidade Stanford avalia que o fechamento do Estreito de Ormuz pode desencadear 'uma crise da dívida na América Latina' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Niall Ferguson — Foto: Nicky Loh/Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 20:15 Historiador Niall Ferguson alerta para impacto da guerra EUA-Irã no Brasil O historiador Niall Ferguson, em evento em São Paulo, afirmou que o Brasil enfrenta um "choque adicional" devido à guerra entre EUA e Irã, referida por ele como "Terceira Guerra do Golfo". O fechamento do Estreito de Ormuz e o aumento do preço do petróleo podem provocar uma crise da dívida na América Latina. Ferguson critica a estratégia de Washington no Irã e alerta sobre as ações do novo governo iraniano, que incluem o uso de drones e mísseis. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O historiador britânico Niall Ferguson afirmou, nesta quinta-feira, que a economia brasileira recebeu um “choque adicional” com a extensão da guerra entre Estados Unidos e Irã, conflito classificado por ele de “Terceira Guerra do Golfo”. A declaração foi feita durante a Expert XP, em São Paulo. Na avaliação do autor de "A ascensão do dinheiro", com o fechamento do Estreito de Ormuz e o barril do petróleo próximo de US$ 100, o conflito provoca um efeito inflacionário global que pode desencadear uma crise da dívida na América Latina. — Não é apenas o fornecimento de fertilizantes que é afetado. Não somente a indústria petroquímica da Ásia é afetada. A economia global também é afetada. E estamos aqui no Brasil, que é um país bastante intensivo em commodities, e que está se tornando mais intensivo a cada ano, e já tem algumas das taxas de juros reais mais altas do mundo. Vocês estão recebendo um choque adicional com a extensão desta guerra e o impacto que ela está tendo na inflação global. O vencedor do Emmy de melhor série documental em 2010, por sua adaptação audiovisual de " A ascensão do dinheiro" e estrela do Hoover Institution da Universidade Stanford avalia que as consequências do prolongamento do conflito "me fazem olhar para esta parte do mundo e perguntar: estamos no caminho certo?". — Construímos um sistema complexo e um choque no Estreito de Ormuz tem a capacidade de desencadear uma crise da dívida do outro lado do mundo — afirmou Ferguson lembrou que parte da administração do presidente Donald Trump consideravam de fato ser possível replicar no Irã a mesma estratégia adotada na Venezuela após a ação militar que depôs o ditador Nicolás Maduro, hoje encarcerado em Nova York, com o objetivo de “encontrar uma versão iraniana de Delcy Rodríguez", em referência à presidente interina da Venezuela. O resultado, no entanto, foi o fortalecimento da linha-dura miitar do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC): — Ouvi conversas sobre isso com certa incredulidade, pois parecia bastante improvável que funcionasse em um contexto tão diferente quanto o do Irã. Obviamente, deu muito errado. Ferguson destacou ainda que o novo governo iraniano tomou medidas que surpreenderam Washington. A primeira foi o uso de drones e mísseis para consolidar o controle sobre o Estreito de Ormuz. A segunda foi a retaliação contra países vizinhos do Golfo, especialmente os Emirados Árabes Unidos, expondo a vulnerabilidade da região a ataques aéreos.