Fundo também destaca estímulos fiscais contínuos do governo como elemento que ajudou o Brasil a se recuperar da pandemia e afirma que o consumo do governo também surpreendeu repetidamente A recuperação do consumo privado é o fator principal que sustentou a expansão da economia brasileira no período pós-pandemia, segundo avaliação do Fundo Monetário Internacional (FMI) publicado em relatório sobre o país nesta quinta-feira (23). Segundo o FMI, em um contexto de mercado de trabalho aquecido, fortes ganhos de renda e crescimento robusto do crédito, o consumo privado superou repetidamente as previsões da equipe do Fundo feitas no início de cada ano desde 2021. O consumo privado representa aproximadamente 60% do PIB brasileiro quando se olha pela ótica da demanda. No primeiro trimestre deste ano, o consumo das famílias cresceu 1% em relação ao trimestre imediatamente anterior, novamente puxado pelo mercado de trabalho aquecido, pela expansão do crédito e pelos programas de transferência de renda, elementos destacados na análise do FMI. O documento destaca que o consumo privado se sobrepôs a outros fatores como o investimento, que embora também tenha se expandido, permanece abaixo da trajetória pré-pandemia. Aponta ainda que a contribuição das exportações líquidas para o PIB real superou a trajetória pré-pandemia devido às fortes exportações, principalmente de hidrocarbonetos, mas as importações permanecem abaixo da trajetória pré-pandemia, o que na visão do FMI reflete em parte a recuperação incompleta do investimento. O Fundo também destaca os estímulos fiscais contínuos do governo como elemento que ajudou o Brasil a se recuperar da pandemia e afirma que o consumo do governo também surpreendeu repetidamente. Além disso, diz o FMI, “o gasto público primário total, incluindo transferências, superou as previsões, refletindo o aumento dos gastos de estados e municípios, parcialmente financiados por transferências do governo federal”. Na avaliação do Fundo, o aumento dos gastos foi parcialmente compensado pelo avanço da receita governamental, tanto pelo crescimento econômico quanto pelas medidas de política tributária. “No geral, a equipe avalia que o apoio fiscal desde a pandemia adicionou, por meio de seus efeitos imediatos e defasados, cerca de 2% ao nível do PIB real até 2025. Esse apoio contribuiu para que a produção superasse o potencial, o que implica um impulso pró-cíclico”, afirma o relatório do FMI divulgado nesta quinta-feira. Exceções no arcabouço O FMI destacou que o aumento das exceções às regras fiscais reduziu a trajetória do saldo primário que seria compatível com o cumprimento das metas. Ao explicar o conceito do acabouço fiscal que substituiu o teto de gastos em 2023, o FMI expõe que, em 2025, o Congresso Nacional aprovou aumentos nas despesas governamentais que podem ser deduzidas para fins de avaliação do cumprimento das metas de saldo primário, com as deduções permitidas atingindo até 0,7% do PIB em 2027. “Algumas das deduções permitidas não estão relacionadas a eventos inesperados”, pontua o relatório. Na análise, o FMI também expõe que o aumento das deduções afastou a trajetória dos saldos primários das metas estabelecidas pelo arcabouço fiscal e aumentou a trajetória da dívida de longo prazo. Vista do logotipo do Fundo Monetário Internacional ( FMI ) em sua sede em Washington, nos EUA — Foto: Reuters/Benoit Tessier/Foto de Arquivo
Recuperação do consumo privado sustenta crescimento do Brasil no pós-pandemia, diz FMI
Fundo também destaca estímulos fiscais contínuos do governo como elemento que ajudou o Brasil a se recuperar da pandemia e afirma que o consumo do governo também surpreendeu repetidamente








