Pesquisa encontrou níveis mais elevados de cortisol ao despertar entre consumidores habituais da substância 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A man prepares a marijuana cigarette during a 4/20 rally to commemorate the World Cannabis Day in Bogota on April 20, 2022 — Foto: Raul Arboleda/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 12:35 Uso frequente de maconha pode desregular resposta ao estresse, diz estudo Um estudo da Universidade Estadual do Oregon revelou que o consumo frequente de maconha pode desregular a resposta ao estresse, elevando os níveis de cortisol ao despertar. Embora a substância alivie o estresse a curto prazo, o uso crônico pode ter efeitos negativos. Pesquisadores ressaltam que não há comprovação de causalidade, mas as descobertas indicam a necessidade de investigações aprofundadas sobre o impacto do uso de cannabis no sistema de resposta ao estresse. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O estresse é a uma das principais motivações para o consumo de maconha. Entretanto, um novo estudo, publicado na revista científica Cannabis, indica que ambora a substância possa proporcionar alívio a curto prazo, o uso crônico pode afetar negativamente os sistemas de resposta ao estresse ao longo do tempo. Liderado por pesquisadores da Universidade Estadual do Oregon (OSU), nos Estados Unidos, o estudo é um dos poucos a examinar a ligação entre o uso frequente de cannabis e o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, o principal sistema neuroendócrino que governa a resposta do corpo ao estresse. O cortisol é um hormônio produzido nas glândulas supra-renais; os hormônios são os mensageiros químicos do corpo. Apelidado de "hormônio do estresse" porque é liberado quando as pessoas se encontram sob pressão, o cortisol auxilia no combate a infecções, na manutenção da pressão arterial e na regulação do açúcar no sangue e do metabolismo. O hormônio é benéfico para lidar com o estresse a curto prazo, mas períodos prolongados de níveis elevados de cortisol podem ter efeitos nocivos ao organismo, como o aumento do risco de ansiedade, depressão e doenças cardíacas. O novo estudo foi baseado na CAR, sigla em inglês para ou resposta do cortisol ao despertar. De acordo com os pesquisadores, a CAR é o aumento do cortisol que todas as pessoas apresentam pela manhã, atingindo o pico cerca de 30 minutos após acordarem. O cálculo da CAR é simples: mede-se o cortisol logo após o despertar, mede-se novamente meia hora depois e subtrai-se o primeiro valor do segundo. Essa diferença é considerada um indicador da capacidade do organismo de se preparar para os fatores estressantes do dia. Os resultados mostraram que a CAR era semelhante entre usuários e não usuários de cannabis, mas os usuários apresentavam um ponto de partida mais elevado — ou seja, acordavam com níveis mais altos de cortisol circulando no organismo. "Nossa pesquisa sugere que os níveis de cortisol ao despertar podem servir como um marcador neurobiológico do uso problemático de cannabis, e essa conexão precisa ser mais bem investigada", diz Anita Cservenka, da Faculdade de Artes Liberais da OSU, líder do estudo, em comunicado. "Estudos anteriores de outros pesquisadores apontaram uma CAR atenuada em usuários frequentes de cannabis, mas não replicamos esse resultado; isso sugere a existência de nuances importantes que podem estar relacionadas às estratégias de análise e às características da amostra." Apesar dos resultados, os pesquisadores enfatizam que a pesquisa não prova que o uso frequente de cannabis faz com que as pessoas acordem com níveis mais elevados de cortisol, nem o contrário. "Precisaríamos estudar os mesmos grupos de pessoas por um período mais longo para entender qualquer relação de causa e efeito, mas acreditamos que isso oferece um ponto de partida importante", diz ela. Ainda assim, segundo ela, é razoável supor que indivíduos que fazem uso frequente de cannabis possam apresentar alterações em seus ritmos diários de resposta ao estresse — e que um sistema de resposta ao estresse desregulado poderia, por sua vez, levar esses indivíduos a um ciclo de maior consumo da substância. As descobertas são importantes porque, nos Estados Unidos, 29% dos adultos entre 19 e 30 anos relatam ter usado cannabis nos últimos 30 dias — um índice que quase dobrou nos últimos 15 anos. Mais de 10% dessa faixa etária relatam usar cannabis 20 vezes ou mais em um período de 30 dias — mais que o dobro da porcentagem observada há 15 anos, segundo os cientistas.