PUBLICIDADE Novos dados sobre o comportamento ligado ao consumo da droga foram publicados na revista científica Addiction 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Maconha pronta para ser embalada em uma instalação interna em Boonton — Foto: Mohamed Sadek/The New York Times RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 12/06/2026 - 15:31 Acesso fácil à maconha eleva mais risco entre jovens que influência dos amigos A pesquisa da Universidade de Montreal revela que a percepção de fácil acesso à maconha aumenta significativamente o risco de uso entre adolescentes, mais do que a influência de amigos que usam a droga. Publicada na revista Addiction, a análise destaca que a combinação de ambos os fatores eleva o risco em 21,6 pontos percentuais. No Brasil, o uso entre jovens de 18 a 24 anos é crescente, com 13,2% relatando consumo regular. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O uso de maconha por adolescentes mostrou uma forte associação com a facilidade de acesso à droga. Muitos acreditam que as amizades são a principal porta de entrada para o consumo da Cannabis sativa. Pesquisadores da Universidade de Montreal, no Canadá, analisaram qual é o real papel das pessoas próximas na busca pela maconha. A pesquisa utilizou dados de Quebec, no Canadá, provenientes do estudo COMPASS, que examinou 1.768 estudantes de 11 escolas, acompanhados entre 2017 e 2019. E, segundo os resultados, publicados na revista científica Addiction, na verdade, ter amigos que usam cannabis, mas não perceber a cannabis como algo acessível, não multiplica significativamente o risco. Contudo, a crença de que a Cannabis sativa (nome científico da maconha) é fácil de obter, ainda que nenhum amigo utilize, poderia aumentar o risco do uso substancialmente. Por isso, os pesquisadores ressaltam que a combinação de ambos os fatores que tem o efeito mais pronunciado. O risco, no caso em que os dois cenários estão presentes, os adolescentes apresentaram um risco 21,6 pontos percentuais maior de iniciar o uso de maconha. "Os adolescentes que tinham amigos que usavam cannabis e que percebiam a cannabis como fácil de obter apresentavam a maior probabilidade de iniciar o uso", afirma Marie-Pierre Sylvestre, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Montreal e autora principal do estudo. Nesse sentido, a percepção do acesso à maconha se mostrou fundamental. De acordo com Sylvestre, os dados indicam que ver a droga como algo acessível pode ajudar a explicar aproximadamente 39% da relação entre ter amigos que usam cannabis e o início do uso de cannabis. "O que funciona na prevenção é capacitar os jovens, não apenas falar com eles sobre cannabis. Atividades interativas lideradas por colegas ou profissionais da comunidade têm um impacto muito maior do que uma palestra ou simplesmente transmitir informações", defende Sylvestre. Cenário brasileiro no uso de maconha Como indica o terceiro Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III), divulgado em dezembro, um a cada sete brasileiros com 14 anos ou mais já consumiram maconha. Também foi registrado um aumento na busca pela droga: em 2023, 6% relataram ter usado a droga há pelo menos um ano, o equivalente a cerca de 10 milhões de brasileiros, em comparação aos 2,8% registrados na edição da pesquisa de 2012. Isso afeta principalmente os brasileiros jovens. O grupo de 18 a 24 anos está em destaque, com 23,3%, cerca de 1 em cada 4, tendo experimentado a cannabis alguma vez na vida, e 13,2% relatando consumo habitual. A idade média de experimentação da droga é 18 anos, e pouco menos da metade dos usuários iniciou o consumo antes de entrar na fase adulta. A pesquisa foi realizada pela Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com parceria da Ipsos e financiada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Risco do uso da maconha na adolescência De acordo com um estudo publicado na revista científica JAMA Health Forum por pesquisadores da Califórnia, nos Estados Unidos, jovens que relataram uso de cannabis no último ano, entre os 13 e 17 anos, apresentaram o dobro do risco de receber diagnóstico de transtornos psicóticos e bipolares até os 26 anos. Além disso, também foram observadas maiores chances de desenvolver quadros de depressão e ansiedade nesse grupo. "À medida que o cannabis se torna mais potente e é comercializado de forma mais agressiva, o estudo mostra que seu consumo por adolescentes está associado ao dobro do risco de transtornos psicóticos e bipolares, duas das condições de saúde mental mais graves", aponta Lynn Silver, diretora do programa "Getting it Right from the Start", do Instituto de Saúde Pública, e coautora do trabalho.