Diagnóstico mostra concentração de riscos na Região Norte, com problemas simultâneos de poluição do ar, saneamento, acesso à água e eventos climáticos extremos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Levantamento mostra riscos ambientais que impactam a infância, como poluição do ar, queimadas, saneamento básico, acesso à água tratada, destinação de resíduos, eventos climáticos extremos e infraestrutura das escolas — Foto: Freepik RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 14:48 Unicef alerta: 333 cidades brasileiras em risco ambiental severo para crianças O Unicef revelou que 333 municípios brasileiros estão em vulnerabilidade ambiental severa para crianças, com a Região Norte destacando-se pelo alto risco. Fatores como poluição do ar, saneamento inadequado e eventos climáticos extremos afetam 42,4% dos municípios nortistas. A desigualdade regional é evidente, com o Sul apresentando melhores condições. O Painel Crianças e Meio Ambiente foi lançado para ajudar gestores a mitigar esses riscos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Brasil tem hoje 333 municípios, o equivalente a 6% do total, em situação de vulnerabilidade ambiental severa e multidimensional para crianças e adolescentes. Nessas cidades, há alta prioridade em 10 ou mais dos 14 indicadores ambientais analisados pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e pela organização Vital Strategies. O diagnóstico, divulgado nesta quinta-feira, traça um panorama dos riscos ambientais enfrentados pela população infantojuvenil nos 5.570 municípios brasileiros. A análise considera indicadores relacionados à qualidade do ar, queimadas, saneamento básico, acesso à água tratada, destinação de resíduos sólidos, eventos climáticos extremos e infraestrutura das escolas. Segundo o estudo, esses fatores costumam ocorrer de forma simultânea nos municípios mais vulneráveis, ampliando a exposição de crianças e adolescentes a riscos ambientais. Desigualdade regional Enquanto 42,4% dos municípios da Região Norte aparecem na faixa de vulnerabilidade severa, nenhum município da Região Sul foi classificado nessa condição. Os estados com pior desempenho agregado são Pará, Acre, Amazonas, Maranhão e Mato Grosso, concentrados na Amazônia Legal e em áreas de intensa pressão ambiental e desmatamento. Na Região Norte, os indicadores mais críticos estão ligados à poluição do ar causada por partículas finas (PM2,5), associadas principalmente às queimadas. O estudo mostra que 94% dos municípios nortistas têm alta prioridade nesse indicador. Além disso, 87% enfrentam problemas de esgotamento sanitário inadequado, 60% não garantem tratamento mínimo da água e 65% ainda fazem destinação inadequada dos resíduos sólidos. Os eventos climáticos extremos também aparecem entre os principais desafios. O levantamento aponta que 91% dos municípios do Norte e 68% dos do Sul registram alta prioridade para chuvas intensas. Já as ondas de calor são mais frequentes no Centro-Oeste (64%) e no Norte (60%), enquanto episódios recentes de seca tiveram maior incidência em municípios do Sudeste (38%), Centro-Oeste (28%) e em áreas da Amazônia, como o Alto Rio Negro. Nas escolas, a infraestrutura básica segue sendo um problema em parte do país. Segundo o relatório, 71% dos municípios da Região Norte concentram matrículas em escolas que não dispõem simultaneamente de água encanada, esgotamento sanitário e coleta de lixo. No Nordeste, esse percentual chega a 49%. A falta de áreas verdes nas unidades de ensino também é apontada como um desafio, sobretudo no Nordeste e em parte do Sudeste. Embora Norte e Nordeste concentrem a maior parte das vulnerabilidades, o estudo ressalta que os desafios ambientais atingem todo o país. Nas grandes cidades do Sudeste, por exemplo, a poluição do ar está mais associada ao transporte rodoviário e à atividade industrial do que às queimadas. Já no Sul, os municípios aparecem com maior frequência entre os mais vulneráveis para eventos de chuvas extremas. Ao mesmo tempo, o diagnóstico mostra que é possível reduzir essas desigualdades. Segundo os pesquisadores, os melhores indicadores observados nas regiões Sul e Sudeste refletem investimentos públicos acumulados ao longo das últimas décadas em áreas como saneamento, abastecimento de água e infraestrutura urbana. O levantamento acompanha o lançamento do Painel Crianças e Meio Ambiente, plataforma online desenvolvida pelo Unicef e pela Vital Strategies que reúne dados individualizados dos municípios brasileiros. A ferramenta classifica cada um dos 14 indicadores em níveis de prioridade — alta, média ou baixa — e apresenta 50 recomendações para orientar gestores municipais na formulação de políticas públicas voltadas à proteção da infância diante dos impactos das mudanças climáticas e da degradação ambiental. Para Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do Unicef no Brasil, a plataforma busca transformar dados em ações concretas. — Crianças e adolescentes são os mais afetados pelos impactos das mudanças climáticas e da poluição, embora sejam os que menos contribuam para esse cenário. O painel foi desenvolvido para apoiar gestores públicos na identificação dos principais riscos que afetam meninos e meninas em seus territórios — afirmou. Já Pedro de Paula, vice-presidente sênior de Inovação da Vital Strategies, destaca que um ambiente seguro é condição para reduzir desigualdades. — Um ambiente seguro, saudável e sustentável não é apenas um direito, mas também um elemento essencial para reduzir desigualdades e promover o desenvolvimento integral na infância e na adolescência — disse.