Governo estuda reduzir ou até zerar imposto de exportação de petróleo, diz ministroMinistro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, diz que governo estuda retirada gradual do imposto de exportação de petróleo, com o fim da guerra do Irã. Crédito: EstadãoO conflito entre Irã e EUA impulsionou licitações de petróleo e gás nas Américas, África Ocidental e Sudeste Asiático, visando segurança energética e investimentos. A instabilidade geopolítica elevou o risco no Oriente Médio, redirecionando capital para regiões como o Atlântico Sul. No Brasil, a ANP planeja leilões em outubro, com destaque para o pré-sal. A EPE vê o Brasil como peça-chave na oferta não Opep, com investimentos anuais de até US$ 25 bilhões, liderados pela Petrobras.RIO – O agravamento do conflito entre Irã e Estados Unidos acelerou as rodadas de licitações para exploração de petróleo e gás nas Américas, na África Ocidental e no Sudeste Asiático. Com o aumento da instabilidade geopolítica, essas rodadas ganharam importância para garantir segurança energética, repor reservas e atrair investimentos de longo prazo, em meio às incertezas sobre oferta, rotas de transporte e preços, mostra estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). PUBLICIDADESegundo a autarquia, antes da escalada no Oriente Médio, a perspectiva para o segmento de exploração e produção em 2026 indicava contenção de gastos, com retração global de investimentos em relação a 2024. As previsões para petróleo eram de queda entre 5% e 6%, enquanto o gás natural aparecia com crescimento aproximado de 7%, puxado por novos projetos de Gás Natural Liquefeito (GNL) nos EUA, Canadá e Catar.Com o conflito, ataques a infraestruturas e bloqueios no Estreito de Ormuz — rota por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial —, passaram a dominar as decisões de alocação de capital. Os mercados financeiros, segundo o estudo, passaram a precificar um prêmio de risco estrutural para ativos no Oriente Médio. PublicidadeLeia tambémBrasil enfrenta mazelas internas além de incertezas globais, com a alta do petróleo e o tarifaçoImposto de exportação faz embarque de petróleo do Brasil recuar 28,3% em maioGrandes petroleiras reavaliam suas carteiras com foco em segurança jurídica e contratual, distância logística de áreas de conflito ativo e estabilidade política de longo prazo. O movimento teria acelerado uma regionalização da exploração na África, historicamente vista como fronteira de médio risco, reduzido seu prêmio de risco relativo e se reposicionado como alternativa ao Golfo, enquanto a exploração em águas profundas e ultraprofundas se consolidou como os segmentos mais resilientes.Nesse contexto, bacias do Atlântico Sul, da Margem Equatorial brasileira à bacia da Namíbia, passaram a receber fluxo intensificado de capital, favorecidas pela combinação de potencial geológico, “baixo carbono relativo” contra os óleos pesados do Golfo e pelo maior afastamento de zonas de conflito. A partir de abril de 2026, Brasil, Estados Unidos, Argélia, Omã, Guiné Equatorial, Índia e Noruega, entre outros, anunciaram, ampliaram ou mantiveram processos de oferta de áreas.Nos Estados Unidos, a mudança de escala é atribuída ao One Big Beautiful Bill Act (OBBBA) — pacote legislativo abrangente de impostos e gastos assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump —, que estabelece ao menos 36 leilões offshore (alto-mar) até 2040, concentrados no Golfo do México e no Alasca. Entre as iniciativas em curso está o Lease Sale 262 (leilão de concessão), proposto em dezembro de 2025, que prevê oferta de cerca de 15 mil blocos ao longo de várias rodadas. Uma delas recebeu propostas para 181 blocos offshore no Golfo do México, em área de 320 mil km².PublicidadeNo restante do mundo, o levantamento da EPE lista movimentos como a rodada da Argélia (sete blocos onshore), o programa do Egito (três blocos offshore no Golfo de Suez), a retomada de ofertas na Ásia — como Tailândia e Indonésia — e a Noruega, com 70 blocos offshore, como exemplos de estratégias nacionais que vão de novas fronteiras exploratórias ao aproveitamento de infraestrutura e ao reforço da produção doméstica.Brasil deve ter dois leilões para exploração de petróleo em outubro Foto: Divulgação/PetrobrasNo Brasil, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) prevê a realização de dois grandes leilões de exploração e produção de petróleo e gás, agendados para 7 de outubro: o 6.º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC) e o 4.º Ciclo da Oferta Permanente de Partilha de Produção (OPP). OPC e OPP são modelos para licitação de óleo e gás. No primeiro, o regime é concessão e, no segundo, o regime é de partilha. No 4.º ciclo, a oferta terá 23 blocos no Polígono do Pré-Sal e assinatura prevista até 26 de fevereiro de 2027. Segundo a ANP, 15 empresas já estão inscritas. No 6º Ciclo de Concessão, a oferta vai consistir em 45 novos blocos exploratórios, distribuídos entre as bacias de Campos (26) e Santos (11), ambas offshore, e Potiguar (8), onshore.PublicidadeNo ano passado, destaca o estudo, os ciclos da Oferta Permanente, tanto de Concessão quanto de Partilha de Produção, reforçaram a estratégia de expansão exploratória com foco offshore, com ofertas na Margem Equatorial e no pré-sal. O 3.º ciclo da Oferta Permanente de Partilha ofertou em 2025 sete blocos em Campos e Santos e teve cinco arrematados por Karoon Brasil, CNOOC Petroleum, Sinopec, Petrobras e Equinor Brasil, com bônus de R$ 103,72 milhões e investimento mínimo de R$ 451,4 milhões. Segundo a ANP, os contratos foram assinados em maio e junho de 2026, com cerimônia marcada para o próximo 5 de agosto, em Brasília.Peça-chave na oferta de petróleo e gás na América do SulPara a EPE, o Brasil é peça central na expansão global da indústria e um vetor de crescimento da oferta não Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) na América do Sul.O estudo aponta um investimento de US$ 23 bilhões a US$ 25 bilhões por ano no País — puxado pela Petrobras —, sustentado por investimentos em FPSOs (plataformas de produção, armazenagem e transferência), o que tende a tornar a produção mais confiável e com menos gargalos. “O País combina potencial geológico, grandes reservas provadas e ativos de alta produtividade, fatores que ajudam a reduzir custos operacionais”, diz a EPE.PublicidadePUBLICIDADENa fotografia de 2025-2026, a produção é projetada em 4 milhões de barris por dia de petróleo e volumes acima de 176 milhões de m³/d de gás natural, segundo a ANP. As projeções citadas apontam pico do petróleo em 2032, com 5,1 milhões de barris por dia, e pico do gás em 2033, com produção bruta de 309 milhões de m³/d. O pré-sal segue como principal base da produção, respondendo por quase 80% da produção nacional de petróleo e gás em 2025, e deve permanecer dominante em 2035, com cerca de 76% do petróleo e 80% do gás.Para sustentar a produção no longo prazo, a EPE lista novas fronteiras terrestres — como Solimões, Amazonas, Parnaíba, Tucano Sul e Alagoas — e, no mar, bacias como Santos, Campos, Sergipe-Alagoas (Seal), Pelotas e a Margem Equatorial, com destaque para Foz do Amazonas, Pará-Maranhão e Potiguar. PublicidadeSegundo o Plano Nacional de Energia 2025 (PNE 2055), a expectativa é de que existam 22 bilhões de barris de petróleo não descobertos no País, na hipótese de referência da EPE, reforçando o papel dessas áreas para evitar queda de produção na segunda metade da década de 2030.Em um cenário internacional de instabilidade geopolítica e disciplina de gastos, o estudo afirma que a outorga de novas áreas exploratórias no Brasil ganha caráter estratégico, já que empresas tendem a priorizar projetos de maior retorno, menor risco e maior previsibilidade regulatória.“Nessa leitura, processos contínuos e previsíveis — como os do Brasil — ganham vantagem, ao lado de mercados como Noruega e Estados Unidos”, avalia a autarquia.Publicidade