Há um ditado no mundo financeiro: o mercado de ações não é a economia. Só que, neste momento, talvez seja.

Os principais índices de ações têm batido recorde atrás de recorde nos últimos anos, impulsionados pelo apetite aparentemente ilimitado dos investidores por qualquer coisa ligada à inteligência artificial. O valor total do mercado de ações dos Estados Unidos mais que dobrou na última década, ultrapassando US$ 75 trilhões (R$ 379,1 tri), cerca de 2,5 vezes a produção anual de toda a economia americana —uma proporção recorde.

Grande parte desse valor existe apenas no papel, apostas em lucros futuros que podem ou não se concretizar nos próximos anos. Mas o boom está sustentando atividade econômica real hoje, injetando trilhões de dólares de investimento em fábricas de semicondutores, data centers, usinas de energia e linhas de transmissão.

E a riqueza que isso está criando ajuda a impulsionar o consumo, especialmente entre americanos mais abastados, cujas carteiras de ações em alta os tornam mais suscetíveis a gastar em férias de luxo, eletrônicos caros e refeições em restaurantes sofisticados.

Esses gastos e investimentos ajudaram a sustentar a economia americana em um período turbulento de inflação, tarifas e incerteza geopolítica. Mas também criam uma vulnerabilidade: se a confiança dos investidores na IA vacilar, a atividade econômica construída sobre ela pode desmoronar.