Empresas de energia estão captando recursos em IPOs (ofertas públicas iniciais, na sigla em inglês) no ritmo mais acelerado deste século, aproveitando a busca dos investidores por novas formas de apostar no boom dos data centers de inteligência artificial, que consomem muita energia.
Ofertas públicas iniciais de empresas de energia levantaram US$ 12,6 bilhões (R$ 64,4 bi) no primeiro semestre deste ano, segundo a empresa de dados Dealogic. Esse é o maior valor semestral desde o pico da bolha das pontocom no final de 1999 e o maior primeiro semestre já registrado. O montante supera com folga o total de US$ 4,3 bilhões (R$ 22 bi) de todo o ano de 2025.A disparada na captação de recursos ocorre à medida que o acesso às enormes quantidades de energia necessárias para operar data centers emerge como um gargalo do boom de investimentos em IA.
"Os investidores começaram comprando nomes ligados à IA, como Nvidia. Depois disseram: 'espera aí, cada chip precisa de energia para funcionar'", afirmou Chris Dendrinos, analista de energia limpa do RBC.
Um data center típico voltado para IA consome cerca de 876 mil megawatts-hora por ano, equivalente a cerca de todo o consumo doméstico de eletricidade de Glasgow ou Salt Lake City. A demanda de eletricidade nos EUA deve aumentar 39% entre 2026 e 2035, segundo a consultoria ICF, em grande parte devido à crescente demanda dos data centers.












