Meses após sua primeira exibição pública no Brasil, estreia em nosso circuito comercial o mais recente longa de Davi Pretto, "Futuro Futuro", grande vencedor do Festival de Brasília do ano passado. A estreia mundial foi há pouco mais de um ano, no prestigiado festival de Karlovy Vary, na República Tcheca.

O filme descreve um mundo distópico em que os mais ricos moram em bairros-fortalezas de uma cidade dividida e os mais pobres, que representam a grande maioria, vivem de subempregos, ou sem emprego algum, e usam rastreadores. O apocalipse da humanidade, de uma sociedade, da vida urbana, do capitalismo.

Nesse contexto, vaga como um zumbi um homem apelidado de K., por causa de uma estranha cicatriz em seu ombro. Ele tem amnésia e não lembra quem é ou de onde veio, mas sonha recorrentemente com um mundo diferente daquele que vê, de prédios altos com belas vistas e grandes piscinas.

Rodado em Porto Alegre, "antes e depois da enchente histórica de maio de 2024", como informa um letreiro no começo, o filme faz da capital gaúcha um cenário de ficção científica em que um futuro possível realmente acontece, graças ao aquecimento global e ao abandono das políticas sociais que visam diminuir as desigualdades.