PUBLICIDADE Entre parkour, drones, jogo do bicho e crítica social, filme estrelado cria um universo tão caótico que sua provocação acaba ficando em segundo plano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cena do filme 'A corrida dos bichos', de Fernando Meirelles: o Bonequinho preferiu sair da sala — Foto: Arte sobre cena de filme "A corrida dos bichos" RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Com elenco estrelado e cenas de ação bem produzidas, o longa peca pelo excesso de clichês e narrativa caótica que impedem o aprofundamento de sua crítica social. A trama do Prime Video imagina uma distopia no Rio de Janeiro onde competidores usam máscaras de animais e disputam uma corrida mortal inspirada no jogo do bicho. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O debate mais interessante sobre “Corrida dos bichos”, filme brasileiro de Fernando Meirelles, Rodrigo Pesavento e Ernesto Solis que acaba de estrear no Prime Video, deveria girar em torno da metáfora que ele propõe. Veja só: o longa-metragem é uma ficção científica que imagina um Rio de Janeiro em que uma elite escrota manipula compatriotas pobres para que eles participem de uma corrida na esperança de mudar de vida. A disputa é transmitida pela TV como um reality show sensacionalista. Os participantes usam máscaras de animais, em referência ao jogo do bicho, e podem se matar à vontade. Os espectadores, óbvio, fazem uma fezinha apostando em seu corredor favorito. É uma proposta que surfa na onda das distopias sociais com roupagem pop — uma modinha do cinema bem resiliente, que já dura para lá de 15 anos. Mas uma coisa é fazer distopia em meio a um cataclisma nuclear, numa realidade alternativa, no fundo do oceano ou em Marte. Outra é tentar criar um universo de fantasia entre o asfalto e a favela carioca, abordando temas difíceis como corrupção, escravidão, violência sexual e fé. Por isso, naqueles anos 2000 de tantos favela-movies lançados no Brasil, os jornais passariam dias discutindo a espetacularização da miséria nas lentes de “Corrida dos bichos”. Professores universitários escreveriam artigos e teses. Uma parte diria que é uma forma de reverberar a crítica social. Outra, que não passa de exploração comercial. Acontece que o filme é tão caótico que fica muito difícil embarcar na história e começar a discutir a sério a possível metáfora. As cenas de ação são bem feitas, mas apelam a recursos que se repetem o tempo todo. São saltos de parkour, encontros casuais entre adversários e drones aos montes, com câmeras girando em torno de seu próprio eixo e ângulos parecidos para acompanhar os corredores. O clímax dessas sequências é sempre o mesmo: para cortar caminho, o competidor precisa entrar numa zona chamada de “Perímetro da Morte”, nada mais do que uma favela em que os moradores são contra o jogo. A trama mistura tudo o que já foi feito em filmes assim. Tem mocinha capturada pelo vilão, sacrifício de herói, acerto de contas com o passado, relações familiares escondidas e mais um bando de clichês. Os diálogos não ficam muito longe disso. A narradora da corrida, interpretada por Anitta, por exemplo, entoa frases soltas como “o Touro faz Galo ralado, impressionante”, “o Gato manco entra na reta final, mas o Cavalo e o Burro galopam para cima” e “apostou mal, vai chorar até o carnaval”. O elenco, por sua vez, é estrelado. Além de Anitta — cujo único bom momento é cantar “Bichos escrotos”, dos Titãs, nos créditos finais —, o filme conta com as participações de Rodrigo Santoro, Matheus Abreu, Isis Valverde, Bruno Gagliasso, Seu Jorge, Grazi Massafera, Silvero Pereira, Thainá Duarte e João Guilherme. Entre eles, há boas atuações, e é louvável o quanto se esforçam para entrar nesse universo tão confuso que “Corrida dos bichos” tenta criar. Confuso a ponto de nem deixar tempo para desenvolver a metáfora. Muito menos para a gente poder quebrar o pau por chamá-lo de polêmico.
Crítica: A polêmica que ‘Corrida dos bichos’ não consegue criar
Entre parkour, drones, jogo do bicho e crítica social, filme estrelado cria um universo tão caótico que sua provocação acaba ficando em segundo plano






