Rodrigo Santoro, Isis Valverde e Bruno Gagliasso integram o elenco de filme de ação apocalíptica codirigido por Fernando Meirelles, Ernesto Solis e Rodrigo Pesavento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Cena de 'Corrida dos bichos' — Foto: Laura Campanella / Divulgação RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você Com estreia no Prime Video, o longa apresenta um Rio de Janeiro futurista e devastado, onde os efeitos visuais foram usados principalmente para 'secar o mar' das locações reais. A trilha sonora do longa traz uma regravação do clássico "Bichos escrotos", dos Titãs, interpretada por Anitta, que também faz uma participação especial como atriz. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO “Bichos escrotos saiam dos esgotos / bichos escrotos venham enfeitar / meu lar / meu jantar / meu nobre paladar”. Lançada no clássico álbum “Cabeça dinossauro” (1986), a canção dos Titãs “Bichos escrotos” marcou época e se tornou referência de um rock político que oferecia entretenimento e reflexão ao mesmo tempo. Quatro décadas após seu lançamento, a canção surge como tema principal de “Corrida dos bichos”, agora interpretada por Anitta, que também faz uma participação no filme como atriz. Assim como a música, a obra cinematográfica, codirigida por Fernando Meirelles, apresenta uma série de críticas sociais e coloca os animais no centro da história. Passado num Rio de Janeiro futurístico sob ruínas, o longa, que estreia amanhã no streaming do Amazon Prime Video, imagina uma realidade em que o jogo do bicho ganhou uma versão carne e osso, em que as pessoas disputam uma corrida violenta em busca de mudar de vida. Na corrida, que atravessa várias áreas da cidade, cada competidor usa a máscara de um animal e precisa seguir as ordens de um líder da equipe numa sala de comando. Dirigido também por Ernesto Solis e Rodrigo Pesavento, além de Meirelles, “Corrida dos bichos” nasce de uma ideia que Solis vem há quase 20 anos tentando tirar da gaveta. — O projeto nasceu em 2008, quando um produtor me encomendou um roteiro que tinha como premissa um Rio de Janeiro futurista — conta Solis. — A partir disso, quis trazer algo que identificasse muito o Brasil, que fizesse parte da nossa identidade, especialmente no Rio, e foi assim que escolhi o jogo do bicho. Queria fazer uma alegoria que fugisse um pouco do registro do realismo, queria fazer uma coisa doida e absurda. Fernando Meirelles, Ernesto Solis e Rodrigo Pesavento, diretores de "Corrida dos bichos" — Foto: Laura Campanella / Divulgação Com o desenvolvimento da trama e a entrada da O2 Filmes no projeto, Pesavento se juntou a Solis na direção com o objetivo de trabalhar especialmente com as sequências de ação. O último a ingressar na produção foi Fernando Meirelles, que volta a filmar no Rio, cenário de seu longa mais famoso, “Cidade de Deus” (2002). — Quando a Amazon comprou o pacote para fazer o filme, eles pediram para que eu me juntasse à direção, sentiam que era importante ter alguém com mais experiências em longas — conta Meirelles, que dividiu as cenas mais dramáticas com Solis. — Adorei fazer este projeto. Em muitas cenas que eu não estava dirigindo, especialmente as de ação, eu estava operando a câmera. Um futuro bem presente “Corrida dos bichos” apresenta esse Rio distópico num futuro não muito distante, devastado por uma catástrofe natural que secou o mar. — Me interessou muito fazer um filme que não é sobre o futuro. É muito mais sobre o presente e sobre um futuro que pode vir a acontecer, com uma sociedade moralmente falida tomando conta do mundo — diz Bruno Gagliasso, que interpreta Leon, um “escravocrata moderno” que comanda um dos principais e mais violentos “animais” no jogo. — Além de ser um entretenimento de altíssima qualidade, este filme também faz as pessoas pensarem. É o tipo de filme que você reza para aparecer. Matheus Abreu e Rodrigo Santoro (ao fundo) em "Corrida dos bichos" — Foto: Laura Campanella / Divulgação Isis Valverde, que interpreta Nadine, casada com Leon e também participante dos jogos, destaca a importância de abordar o impacto de catástrofes ambientais no filme, o que reforça a atualidade da trama. No papel de Abu, o organizador da corrida, Rodrigo Santoro enfatiza a natureza multitemática do longa. — É um filme que fala sobre desigualdade social, dinâmicas de poder e a cultura da espetacularização que vivemos hoje em dia — diz Santoro, que classifica seu personagem como o “arquétipo da vaidade”. — Temas extremamente atuais são trazidos através de uma alegoria e utilizando muitos elementos da cultura para fazer uma crítica social. É um thriller de ação absolutamente brasileiro, não é o pastiche de uma distopia americana. Os atores Matheus Abreu e Thainá Duarte, que integram o outro lado da pirâmide social da obra, contam que foram atraídos pela a escala grandiosa do projeto e pela criatividade do texto. Abreu interpreta Mano, um opositor da corrida dos bichos que sonha em acabar com a competição, mas é obrigado a assumir a máscara do Gato para salvar sua irmã Dalva, personagem de Duarte, atriz que ficou conhecida pelo trabalho na série “Cangaço novo”. O elenco traz ainda nomes como Seu Jorge, João Guilherme, Silvero Pereira e Grazi Massafera. Cenários reais e cartões-postais A atriz Thainá Duarte classifica “Corrida dos bichos” como um “filme como a gente nunca viu no Brasil” e uma prova de que o cinema nacional é capaz de fazer obras grandiosas. Parte da grandiosidade da obra, dizem os envolvidos, está na mescla entre cenários reais do Rio e os efeitos especiais usados para transformar a cidade. Os atores lembram que a grande maioria das filmagens ocorreram em locações reais. — Quando li o roteiro, achei que teria muita coisa em estúdio, por causa dos efeitos especiais, mas foi quase tudo locação — lembra Matheus Abreu. Anitta em "Corrida dos bichos" — Foto: Laura Campanella / Divulgação Já Isis Valverde recorda que ela foi um dos nomes do elenco que mais precisaram gravar cenas com “fundo verde”, o que foi uma dificuldade extra. — Sofri muito com o fundo verde. Eu adorava ver filme com gente voando, dragões, mas eu via a coisa já pronta. Quando o Fernando (Meirelles) ligava a câmera e falava “olha para não sei o quê” e eu não via nada, eu falava “misericórdia” — diverte-se Valverde ao lembrar a experiência. — Comecei a fazer um trabalho mais interno, porque você atua para o nada. Isso foi o mais difícil de todo projeto. O diretor Rodrigo Pesavento destaca que os efeitos especiais foram usados para criar o cenário apocalíptico no Rio, mas não nas muitas sequências de ação, que, por sua vez, demandaram muito ensaio e um grupo dedicado de dublês. — A parte com mais efeitos especiais foi enxugar a água do mar. Não tivemos muitos efeitos nas cenas de ação — explica Pesavento. — A gente quis usar cenários reais e cartões-postais da cidade para mostrar como seriam esses espaços degradados após anos e anos. O Rio de Janeiro, por sinal, é um dos protagonistas da história. — O Rio tem essa coisa que é a mistura entre diversão, prazer e perversidade, que está no jogo do bicho. Os patronos do carnaval são os donos do jogo ilegal. Essa mistura entre o ilegal e o permitido foi difícil de explicar para pessoas fora do Brasil. Nas nossas conversas com a Amazon era difícil explicar como algo ilegal era tão aceito pela sociedade e também pelo poder público — afirma Ernesto Solis.