Empresa reuniu-se com autoridades chilenas pelo menos seis vezes no último ano e o plano, até então não divulgado, era para operar um modelo de farmácia exclusivamente on-line no país A empresa de comércio eletrônico Mercado Livre discutiu com as autoridades chilenas uma proposta para operar como farmácia no país, plano que exigiria uma mudança na regulamentação local, mostraram registros de reuniões entre as partes. A iniciativa representa o mais recente passo do Mercado Livre, sediado no Uruguai e que antes atuava principalmente como marketplace para vendedores externos, em direção à expansão de suas próprias operações de varejo, ao mesmo tempo em que aprofunda sua aposta no setor farmacêutico após um projeto-piloto semelhante no Brasil. O Mercado Livre, que atua em toda a América Latina e é uma das maiores empresas da região em valor de mercado, reuniu-se com autoridades chilenas pelo menos seis vezes no último ano. As atas das reuniões revelaram o plano da empresa, até então não divulgado, de operar um modelo de farmácia própria e exclusivamente on-line no Chile. O plano ampliaria as operações da empresa no Chile, onde, assim como na Argentina, no México e em outros mercados, o Mercado Livre atualmente vende medicamentos apenas por meio de varejistas terceirizados. Após conhecer a proposta, o Ministério da Saúde do Chile recomendou que o Mercado Livre buscasse uma avaliação técnica junto ao Instituto de Saúde Pública (ISP) do país, já que a iniciativa exigiria mudanças ou reinterpretações da regulamentação, de acordo com registros de uma reunião realizada em janeiro. Em resposta por escrito a um pedido de comentário, o ISP não informou se o Mercado Livre solicitou essa avaliação. O órgão afirmou que a empresa atualmente não possui autorização para operar uma farmácia própria no Chile e que a regulamentação vigente não permite o funcionamento de farmácias exclusivamente on-line. O Ministério da Saúde do Chile não respondeu aos pedidos de comentário. O Mercado Livre informou, em comunicado enviado à Reuters, que está trabalhando para ampliar gradualmente sua oferta na área de saúde, adaptando-se ao marco regulatório de cada mercado. A empresa se recusou a comentar especificamente seus planos para o Chile. Como parte de uma estratégia de negócios mais ampla e de longo prazo, a companhia aumentou os investimentos em suas operações próprias de varejo nos últimos trimestres, com foco em segmentos como beleza e eletrodomésticos. Essa estratégia pressionou as margens, fazendo com que as ações acumulassem queda de quase 11% neste ano, para US$ 1.799 cada. No Brasil, seu maior mercado, o Mercado Livre comprou uma farmácia física no ano passado devido às regras locais que exigem uma presença física para empresas que comercializam medicamentos. Em março, a companhia iniciou um projeto-piloto vendendo medicamentos isentos de prescrição, prometendo entregas em um prazo médio de até três horas. A operação ainda não foi expandida para além da cidade de São Paulo. A proposta da empresa no Chile também incluía entregas “em poucas horas em algumas regiões”, segundo a ata de uma reunião realizada em setembro. O Chile está atrás dos principais mercados da empresa — Brasil, México e Argentina —, mas uma implementação bem-sucedida no país poderá servir de modelo para uma expansão em toda a América Latina. — Foto: Divulgação/Mercado Livre
Mercado Livre propõe operação de farmácia própria no Chile após lançamento no Brasil
Empresa reuniu-se com autoridades chilenas pelo menos seis vezes no último ano e o plano, até então não divulgado, era para operar um modelo de farmácia exclusivamente on-line no país








