Levantamento aponta também uma leve diminuição dos registros de estupros contra jovens 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Abuso sexual infantil: Saiba identificar os sinais em crianças — Foto: Pixabay RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 16:35 Aumento de Maus-Tratos Infantis no Brasil: Casos Mais que Dobram em 5 Anos Os casos de maus-tratos a crianças e adolescentes mais que dobraram nos últimos cinco anos no Brasil, alcançando 77,4 vítimas por 100 mil habitantes em 2025. Crimes de bullying e cyberbullying também aumentaram significativamente, com um salto de 68,2% e 61,4%, respectivamente. Apesar de uma leve queda nos registros de estupro, crianças e adolescentes ainda representam 76% das vítimas. Especialistas apontam a necessidade de fortalecer a rede de proteção e melhorar a notificação dos casos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Imagens de uma câmera de segurança flagraram o momento em que um pai desfere um chute no rosto da própria filha de 3 anos no Paraná. No Rio Grande do Sul, um missionário norte-americano espancou o filho até a morte por não dizer “bom dia”. Dados divulgados nesta quinta-feira no Anuário Brasileiro de Segurança Pública indicam que os casos estão longe de serem isolados: maus-tratos contra crianças e adolescentes mais que dobraram nos últimos 5 anos. Em 2021, a taxa que era de 37,6 vítimas de maus-tratos a cada 100 mil habitantes passou para 77,4 em 2025, uma alta de 106%. O crime ocorre em casos em que há uma relação de autoridade ou guarda entre o agressor e a vítima. Quando observados os crimes de lesão corporal em contexto familiar, que não envolve necessariamente a parentalidade, contra esta faixa etária, também houve um crescimento de 15% no acumulado dos últimos 5 anos. Juntos, os crimes totalizaram mais de 60 mil ocorrências em 2025. Registro de maus-tratos mais que dobrou em 5 anos — Foto: Arte/ Fórum Brasileiro de Segurança Pública Ao GLOBO, o coordenador de Infância e Juventude do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e doutor em sociologia pela Universidade de São Paulo (USP), Cauê Martins, explicou que os crimes permanecem associados a uma cultura de “naturalização de um tipo de parentalidade autoritária e violenta”, apesar dos avanços conquistados pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Quando observada a faixa etária das vítimas, os maus-tratos possuem maior taxa entre crianças de 5 a 9 anos (95,5 a cada 100 mil habitantes destas idades), seguem elevados entre 10 e 13 (85,4) e caem na adolescência (51,1). Por outro lado, no contexto da violência doméstica, o número de casos é menor entre os mais novos e aumenta progressivamente com o avanço da idade. — A violência física modifica sua configuração ao longo do desenvolvimento. Durante a infância, predominam agressões associadas ao exercício violento da autoridade familiar, enquanto na adolescência tornam-se mais frequentes violências domésticas tipificadas como lesão corporal — explica o coordenador. A diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Samira Bueno, atribui a escalada de violência à falta de investimento em uma rede de proteção a crianças e adolescentes. — A gente precisa fortalecer essa rede de proteção, fortalecer uma escuta que não seja ‘revitimizadora’ para essas crianças, além de diminuir a subnotificação. Como é um registro criminal envolvendo criança, e criança não vai até a delegacia registrar, normalmente a denúncia depende de terceiros — pontua Bueno. Em 2025, estados no Norte, Centro-Oeste e Sul apresentaram registros de maus-tratos bem acima da média nacional, de 77 por 100 mil habitantes, como Mato Grosso do Sul (206), Rondônia (197) e Santa Catarina (160). Os estados com as menores taxas se concentram no Nordeste e Sudeste, como Ceará (7), Rio de Janeiro (37) e Maranhão (38). Explosão de casos de bullying e cyberbullying A faixa etária de 0 a 17 anos sofre ainda um salto crítico nos registros de bullying (+68,2%) e cyberbullying (+61,4%) em 2025, segundo o anuário. As práticas, que se tornaram crime em 2024, contabilizaram 5.226 ocorrências no ano passado. Bueno pondera que o fenômeno, entretanto, é mais disseminado do que é possível sugerir com os dados criminais: — O dado é ínfimo se comparado às denúncias de produção de material de abuso sexual infantil no ano passado à Safernet, por exemplo. Só uma parte pequena está virando crime de fato. As principais vítimas são meninas na entrada da adolescência que têm uma relação com o namorado, ou que tiraram um nude e isso acaba vazando. O que mais choca é que um terço dos autores são adolescentes — explica. A maior recorrência dos casos, em 2025, concentra-se entre crianças de 10 a 13 anos e adolescentes de 14 a 17 anos. Os registros são bem menores em crianças menores de 10 anos. Com o passar do tempo, segundo o coordenador, a lei que criminaliza o bullying pode “fortalecer a compreensão social de que essas práticas extrapolam uma simples brincadeira de mau gosto” e os registros continuam crescendo. Grupo é o que mais sofre estupro No ano passado, de acordo com o levantamento, três em cada quatro vítimas de estupro e estupro de vulnerável eram crianças e adolescentes, representando 76% dos casos. Por outro lado, pela primeira vez desde 2020, houve uma diminuição dos registros: após quatro anos consecutivos de crescimento, o número reduziu 5,5% em comparação com 2024. Maior parte das vítimas é de crianças e adolescentes — Foto: Arte/ Fórum Brasileiro de Segurança Pública Segundo Martins, a leve queda pode representar um “fortalecimento das políticas de prevenção, proteção e responsabilização da violência sexual contra crianças e adolescentes”. No entanto, ela deve ser analisada com cautela, pois ainda é insuficiente para caracterizar uma reversão observada nos últimos anos. — O país continua registrando mais de 60 mil crianças e adolescentes vítimas de estupro por ano e, mesmo após a queda observada em 2025, a taxa de vitimização permanece 41,8% superior à registrada em 2021 — concluiu o coordenador. O ambiente virtual também é hostil para crianças e adolescentes. Crimes sexuais digitais tiveram um salto de 25% nos registros entre 2024 e 2025, com 4.063 casos só no ano passado. A produção, armazenamento e circulação de imagens de abuso se dão em diferentes territórios e exigem integração entre as polícias para o enfrentamento. A análise dos crimes sexuais digitais revelou ainda que 34% dos autores de material de abuso sexual são adolescentes e a maioria são homens, correspondendo a 86% dos registros.
Maus-tratos contra crianças e adolescentes mais que dobram em 5 anos e grupo sofre ainda com alta do bullying
Levantamento aponta também uma leve diminuição dos registros de estupros contra jovens










