Preços elevados do petróleo geram preocupações sobre o risco de aumento da inflação e a possibilidade de que os bancos centrais tenham de elevar as taxas de juros em resposta Juros globais disparam com alta do petróleo e temores de inflação — Foto: Pixabay Os rendimentos dos títulos públicos de 10 anos dos Estados Unidos e do Reino Unido subiram para máximas de dois meses, enquanto a taxa equivalente da Alemanha atingiu o nível mais alto desde 2011, à medida que a escalada de confrontos militares no Oriente Médio elevou os preços do petróleo Brent para perto de US$ 100 o barril. Os preços elevados do petróleo geram preocupações sobre o risco de aumento da inflação e a possibilidade de que os bancos centrais tenham de elevar as taxas de juros em resposta. "Os desdobramentos no mercado de energia demonstram a rapidez com que os riscos geopolíticos podem se traduzir em expectativas de inflação e movimentos nas taxas de juros", afirmou John Petersen, gestor de portfólio da Eyb & Wallwitz, em uma nota. O rendimento do título público alemão (bund) de 10 anos subiu para 3,215%. O rendimento do Treasury de 10 anos subiu para 4,679%, enquanto o rendimento do papel britânico (gilt) com o mesmo vencimento saltou para 5,074%. O petróleo Brent superava a marca de US$ 98 por barril, próximo às 7h35 (horário de Brasília). Os preços do petróleo voltaram a subir desde o início de julho, quando o presidente dos EUA, Donald Trump, declarou encerrado o Memorando de Entendimento entre EUA e Irã para um cessar-fogo. As hostilidades militares no Oriente Médio se intensificaram, e os investidores estão particularmente preocupados com a possibilidade de os ataques se expandirem para o Mar Vermelho. Forças americanas atacaram o Irã pelo 12º dia consecutivo, enquanto aliados houthis do Irã afirmaram ter atingido dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho, aumentando as preocupações com um segundo ponto crítico para o petróleo no Estreito de Bab el-Mandeb. Paralelamente, os EUA estão enviando mais tropas, equipes médicas e armamentos para o Oriente Médio, a fim de ampliar as opções militares. O resultado foi um novo prêmio de risco para o petróleo e um foco renovado do mercado na inflação, disseram analistas do Saxo em uma nota. A recente disparada nos preços do petróleo será motivo de preocupação para os formuladores de políticas do Banco Central Europeu, que devem anunciar uma decisão ainda nesta quinta-feira. Investidores esperam que as taxas de juros da zona do euro sejam mantidas inalteradas — com a taxa de depósito permanecendo em 2,25% — após o aumento realizado na última reunião; no entanto, cresce a possibilidade de que as autoridades monetárias sinalizem um novo aumento para setembro. "Os mercados estarão muito atentos a pistas sobre setembro, mês que contará com projeções atualizadas", afirmaram analistas do KBC Bank em um relatório. As atenções também se voltam para o Federal Reserve e o Banco da Inglaterra (BoE), que realizarão reuniões de política monetária na quarta e na quinta-feira da próxima semana, respectivamente. Espera-se que ambos também mantenham as taxas de juros inalteradas, mas sinalizem o risco de aumentos futuros devido à alta dos preços do petróleo. "Continuamos esperando que o Fed eleve as taxas em 25 pontos-base tanto em setembro quanto em dezembro, seguidos por um longo período de manutenção das taxas até o início de 2028", disseram analistas do Deutsche Bank em um relatório. A faixa da meta para a taxa de fundos federais (*Fed funds*) está atualmente entre 3,50% e 3,75%. É provável que o BoE também mantenha sua taxa básica de juros em 3,75% na próxima semana, "ao mesmo tempo em que mantém um viés claro de aperto monetário", disse Martin Wolburg, economista sênior da Generali Investments.
Juros globais disparam com alta do petróleo e temores de inflação
Preços elevados do petróleo geram preocupações sobre o risco de aumento da inflação e a possibilidade de que os bancos centrais tenham de elevar as taxas de juros em resposta






