Entenda por que o sedentarismo contribui para o desgaste físico e mental e quais mudanças simples fazem diferença no dia a dia 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Descansar é importante, mas a vitalidade também se constrói com bons hábitos — Foto: Getty Images Sentir cansaço o tempo todo não é normal, nem apenas um sintoma da vida adulta. Na maioria dos casos, a queda na disposição está ligada a uma combinação de fatores simples, muitas vezes ignorados na rotina. Quanto menos a pessoa se movimenta, mais cansada tende a ficar, um ciclo que também envolve noites mal dormidas e o excesso de estímulos digitais. A boa notícia é que pequenos ajustes no dia a dia podem devolver a energia, melhorar a concentração e tornar a rotina mais leve. Segundo a neuropsicóloga Priscila Gasparini Fernandes, o cansaço comum costuma ter uma causa identificável, como uma noite mal dormida ou um dia mais puxado, e melhora com descanso e alimentação adequada. A exaustão persistente é diferente. — A pessoa passa o fim de semana sem trabalhar e, ainda assim, continua sem energia. Dificuldade de concentração, irritabilidade, esquecimentos e queda no rendimento são sinais de alerta para procurar ajuda profissional, já que o quadro pode estar relacionado a estresse, ansiedade, depressão, anemia, alterações da tireoide ou distúrbios do sono. Dormir muitas horas, inclusive, não garante descanso. Despertares frequentes e condições como a apneia do sono podem comprometer a recuperação do organismo, mesmo quando a duração do sono parece suficiente. — Não basta saber quantas horas você dorme. É preciso olhar para como você dorme e como acorda — afirma Priscila. O excesso de estímulos digitais também cobra seu preço. Cada troca de tarefa exige que o cérebro interrompa um raciocínio, atualize informações e deixe de lado o que deixou de ser prioridade. Esse processo consome atenção e energia mental. — As notificações mantêm uma espécie de vigilância permanente. Mesmo quando o celular não é consultado, a expectativa de receber uma mensagem pode fragmentar a atenção. Trabalhar em uma tarefa por vez, silenciar as notificações durante períodos de concentração e reservar horários específicos para responder às mensagens ajuda a reduzir esse desgaste. Para o médico do esporte Eduardo Rauen, a atividade física regular é um dos fatores mais importantes no combate à fadiga, mesmo que a lógica pareça contraintuitiva. — As pessoas acham que fazer exercício vai cansar mais. É o contrário. Estudos mostram que a prática regular reduz a fadiga tanto em adultos saudáveis quanto em pessoas com condições crônicas, como depressão e fibromialgia, além de melhorar o sono, reduzir a ansiedade e aumentar a capacidade cardiovascular. O sedentarismo favorece a perda de massa muscular e alimenta um ciclo de fadiga cada vez mais difícil de romper. — Se a pessoa não treina, ela é sedentária. Se é sedentária, tem mais cansaço, mais fadiga crônica — resume Eduardo. Romper esse ciclo não acontece de uma hora para outra. O primeiro passo é começar aos poucos. — Uma caminhadinha de 15 minutos, de uma forma que você consiga conversar, já faz diferença — recomenda. O ideal, explica o médico, é aumentar a intensidade gradualmente, sempre escolhendo uma atividade prazerosa. — Gosta de dançar? Vai dançar. Gosta de nadar? Vai nadar. Ouça seu corpo Além do sono, da atividade física e da alimentação de qualidade, Eduardo inclui o convívio social entre os principais fatores que influenciam os níveis de energia. Na prática, isso significa manter contato com amigos, visitar pessoas e participar de atividades em grupo, hábitos que também favorecem o bem-estar. Priscila sugere três mudanças prioritárias para recuperar a disposição. — A primeira seria organizar o ritmo do sono, começando por manter um horário relativamente regular para acordar — diz. A segunda é reduzir a fragmentação mental. Escolher uma tarefa, dedicar-se a ela sem interrupções das notificações e fazer uma pausa verdadeira antes de passar para a próxima são estratégias eficazes para combater a exaustão. A terceira é colocar o corpo em movimento todos os dias, sem transformar isso em mais uma cobrança. — A disposição não precisa aparecer antes do movimento. Muitas vezes, ela começa a ser reconstruída a partir dele — explica a especialista. Quando o cansaço é persistente, intenso ou vem acompanhado de outros sintomas, no entanto, mudanças de hábito não substituem uma avaliação médica. Antes de tentar vencê-lo apenas pela força de vontade, é preciso entender o que o corpo está comunicando. 4 hábitos que ajudam a recuperar a disposição Pequenas mudanças na rotina podem ajudar a quebrar o ciclo de cansaço e sedentarismo. Durma melhor: mantenha horários regulares para acordar e observe a qualidade do sono, não apenas o tempo dormido. Mexa-se todos os dias: uma caminhada de 15 minutos já pode ser suficiente para iniciar uma mudança de hábito. Reduza as distrações digitais: silencie notificações e concentre-se em uma tarefa por vez para diminuir a fadiga mental. Cultive relações sociais: encontrar amigos, visitar familiares e participar de atividades em grupo também contribuem para aumentar a disposição e o bem-estar. Priscila Gasparini Fernandes, neuropsicóloga — Foto: Arquivo pessoal A disposição não precisa aparecer antes do movimento. Muitas vezes, ela começa a ser reconstruída a partir dele. Eduardo Rauen, médico do esporte — Foto: Arquivo pessoal As pessoas acham que fazer exercício vai cansar mais. É o contrário. — Eduardo Rauen, médico do esporte