A artista plástica carioca Lena Bergstein, 80, queria muito conhecer Jerusalém. Três vezes tentou realizar essa longa e custosa viagem, sem sucesso. Por fim, decidiu visitar a cidade na sua imaginação. O resultado é o livro "Um Diário em Aberto: Palestina", lançado há pouco.

Embora divulgado pela Cosac como o retorno da editora à ficção brasileira contemporânea após um longo hiato, o livro de Bergstein se aproxima mais de um ensaio híbrido do que de um romance. O texto mescla autobiografia intelectual, crítica literária e experimentos visuais.

O interesse pela região é antigo, conta à Folha. Nasceu como uma curiosidade quase arqueológica. "O que eu mais queria era ver os manuscritos do mar Morto", diz.

Em sua carreira como artista, explorou por décadas as relações entre a palavra e seu suporte material. Tinha vontade de ver, por exemplo, como aqueles textos tinham sido gravados não só em papiros e pergaminhos, mas também em folhas de cobre.

Nessa trajetória de investigação artística sobre texto e material, travou uma parceria com o filósofo francês Jacques Derrida nos anos 1990. Em 1998, Bergstein ilustrou o texto "Enlouquecer o Subjétil" —premiado com um Jabuti na categoria de produção editorial.