Professor do Departamento de Engenharia Aeronáutica da Universidade de São Paulo (USP), James Waterhouse explicou o que cada investigação deve esclarecer. "Uma que é feita pela polícia, que é a investigação com fins judiciais, para identificar a culpa, responsabilidades, e a investigação do Sipaer [Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos], que o Cenipa é o órgão central, com o objetivo de identificar o que a gente chama de fatores contribuintes", resumiu. 🔎 Fatores contribuintes são aqueles que, se removidos, teriam evitado ou atenuado as consequências do acidente. Uma tragédia aérea pode ter diversos deles. A investigação busca reconstituir o acidente e apontar os fatores que contribuíram para a queda, mas não identifica culpados nem pode ser usada para responsabilização criminal. O relatório também deve trazer recomendações para evitar novos acidentes. "É muito importante que o relatório de acidente [do Cenipa] seja, de certa forma, o mais fiel possível ao ocorrido e que não criminalize ninguém. O intuito dele é evitar que novos acidentes aconteçam. Todas as vezes que você tem um viés criminal na investigação, você pode não elucidar por completo o caso, porque a verdade se fecha", explicou Waterhouse. E a investigação criminal? Fotos divulgadas pela Polícia Federal mostram o trabalho da perícia na manhã deste sábado (9), após o desastre aéreo em Vinhedo — Foto: Polícia Federal Já a Polícia Federal informou, nesta quarta-feira (22), que pretende concluir o inquérito em agosto. A investigação é baseada em dois laudos periciais produzidos pelo Instituto Nacional de Criminalística, com apoio técnico do Cenipa. Os documentos reúnem elementos técnicos e científicos que, confrontados com depoimentos e outras provas, podem indicar se houve falhas humanas ou materiais capazes de justificar eventual responsabilização criminal. O primeiro é o laudo descritivo do local da queda, concluído cerca de 90 dias após o acidente. O documento reúne fotografias, registra a posição da aeronave, o número de vítimas, os danos provocados e os procedimentos realizados pelos peritos, mas não analisa as causas da tragédia. O segundo é o laudo de sinistro aeronáutico, que acompanha os exames realizados pelo Cenipa nos destroços, motores, caixas-pretas e demais componentes da aeronave. Embora tenha base técnica semelhante à do relatório do Cenipa, ele é elaborado para subsidiar a investigação criminal. Esse segundo documento deve trazer: resumo do acidente, com as principais conclusões e recomendações;descrição detalhada do acidente;cronologia dos acontecimentos;condições meteorológicas no momento da queda;análise dos fatores humanos, como experiência da tripulação, treinamento e procedimentos adotados;análise da manutenção e das condições da aeronave;avaliação dos procedimentos operacionais;análise das comunicações durante o voo;avaliação das práticas de segurança e da organização da companhia;análise de fatores ambientais e de possíveis interferências externas. Relembre o caso Equipe que trabalho na remoção dos corpos — Foto: Arquivo pessoal Logo após a tragédia, duas investigações foram abertas. O Cenipa passou a apurar os fatores que contribuíram para a queda e indicar medidas para evitar novos acidentes. Já a Polícia Federal iniciou um inquérito para apurar se houve crime e produzir um laudo próprio sobre o caso, já que o relatório do Cenipa não pode ser usado para responsabilização criminal. Também mostrou que o sistema foi acionado e desligado várias vezes ao longo da viagem, mas sem concluir se isso ocorreu por ação dos pilotos ou por outro motivo. O relatório, porém, não apontou a causa do acidente. Na semana em que a tragédia completou um ano, o g1 publicou reportagens exclusivas sobre o caso. Uma delas revelou o relato de um ex-funcionário da Voepass de que um piloto havia informado verbalmente, horas antes do acidente, falhas no sistema antigelo durante um voo anterior, mas que o problema não foi registrado no diário técnico da aeronave. Às vésperas de o acidente completar dois anos, a expectativa é pela divulgação do relatório final do Cenipa. O documento deve apresentar as conclusões da investigação técnica sobre a queda e indicar recomendações para aumentar a segurança da aviação e evitar novas tragédias. Como era o avião que caiu em Vinhedo — Foto: Arte g1 VÍDEOS: tudo sobre Campinas e região
Queda da Voepass: entenda as investigações do Cenipa e da PF | G1
Entenda as diferenças entre as investigações do Cenipa e da Polícia Federal, os relatórios esperados e o que ainda precisa ser esclarecido sobre o acidente.
















