PUBLICIDADE Setor alerta para o número alto de casos no estado e os custos maiores com transporte, escolta armada e seguro de cargas. Entidade vê risco de desabastecimento e à saúde dos pacientes 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Nicho rentável. O Jaguar apreendido na operação de terça-feira em São Paulo com dezenas de caixas de medicamentos, que foram avaliados em mais de R$ 4 milhões — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 22:51 Rio de Janeiro lidera roubos de medicamentos, ameaça saúde e economia O Rio de Janeiro concentra 40% dos roubos de medicamentos no Brasil, segundo a Abradimex, com riscos de desabastecimento e impacto na saúde dos pacientes. A Operação Metástase revelou um mercado clandestino em expansão. O aumento dos roubos, especialmente de remédios caros, pressiona custos com segurança e seguros, podendo afastar distribuidoras do estado e afetar a competitividade empresarial. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Operação Metástase, deflagrada anteontem pela Polícia Civil no Complexo da Maré, na Zona Norte, e em outros três estados, expôs uma engrenagem que especialistas apontam estar em expansão no país: o roubo de remédios de alto custo para abastecer um mercado clandestino. Em entrevista ao GLOBO, o presidente executivo da Associação Brasileira dos Distribuidores de Medicamentos Especializados (Abradimex), Paulo Maia, afirmou que cerca de 40% dos casos registrados no país ocorrem no Rio de Janeiro, índice que vem sendo monitorado pela entidade desde 2024 e permanece relativamente estável. — Os grandes laboratórios e centros de distribuição estão concentrados no Sudeste. Rio e São Paulo têm uma malha logística mais desenvolvida, e isso acaba tornando os dois estados mais atrativos para esse tipo de crime — explicou Maia. Liderança amarga O cenário apresentado pela entidade é compatível com outro levantamento, o “Report de Roubo de Cargas”, realizado pela Nstech, empresa de tecnologia que conecta embarcadores, transportadoras, motoristas e seguradoras. O estudo aponta que o estado concentrou 44% dos prejuízos com roubo de cargas no primeiro trimestre deste ano, à frente de São Paulo (28,1%) e Bahia (9,2%). Também revela uma mudança no perfil das mercadorias visadas pelas quadrilhas: medicamentos, que representavam apenas 1,7% das perdas registradas no mesmo período de 2025, agora passaram a responder por 22,3%. Para Maia, o avanço desse tipo de crime está relacionado ao alto valor agregado dos medicamentos e à existência de um mercado disposto a absorver os produtos roubados. Segundo ele, o setor tem identificado, nos últimos anos, um crescimento nos roubos de cargas farmacêuticas, movimento que ocorre paralelamente, mas sem relação direta, ao aumento dos furtos e assaltos a farmácias envolvendo medicamentos de maior procura, como as canetas emagrecedoras Ozempic e Mounjaro. — Quando você olha para os roubos em farmácias, percebe que os medicamentos voltaram a despertar interesse do crime organizado. Mas, para nós, quem dera a caneta fosse o maior dos problemas. Estamos falando de remédios muito mais caros — ponderou. Risco aos pacientes De acordo com o executivo, as cargas roubadas costumam reunir remédios destinados ao tratamento de câncer, doenças autoimunes e enfermidades raras, produtos de alto valor de mercado e cuja distribuição é voltada principalmente para hospitais públicos e clínicas especializadas. Na avaliação dele, a expansão desse tipo de delito só é possível porque existe uma cadeia de receptação capaz de reinserir esses produtos no mercado. — Se está sendo roubado, é porque tem quem compre. E o que mais nos preocupa é a forma como ele volta ao mercado. Essa reposição, além de tudo, coloca em risco a vida dos pacientes — alertou. O avanço dos roubos já alterou a rotina das distribuidoras. As empresas associadas à Abradimex passaram a reforçar a segurança das operações com escoltas armadas, veículos blindados e sistemas de monitoramento, medidas que elevaram de 20% a 30% o custo do transporte, estima a entidade. O setor também relata dificuldade crescente para contratar seguros para cargas destinadas ao Rio. Desabastecimento à vista Como os preços dos remédios são regulados, esses gastos adicionais não podem ser repassados ao consumidor, pressionando as margens das empresas. Na avaliação de Maia, se o cenário persistir, algumas distribuidoras podem rever a permanência no estado. — Pode haver, no longo prazo, um desabastecimento. Também pode surgir um desinteresse das empresas em operar no Rio pelo custo e pelo risco envolvidos — previu. Os reflexos do aumento dos roubos de carga aparecem nos indicadores gerais de criminalidade. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) mostram que o estado registrou 1.733 casos no primeiro semestre deste ano, alta de 10,1% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizadas 1.574 ocorrências. O problema, porém, ultrapassa o setor farmacêutico. Uma pesquisa da Federação das Indústrias do Estado do Rio (Firjan) apontou que dois em cada três empresários fluminenses afirmam que a Segurança Pública influencia suas decisões de investimento no estado. Segundo a federação, o roubo de cargas gera prejuízos que vão além do valor das mercadorias, ao exigir gastos crescentes com segurança privada, apólices e medidas de prevenção — custos que reduzem a competitividade das empresas instaladas no Rio.
Rio concentra 40% dos roubos de medicamentos do país, e setor alerta para risco de desabastecimento
Setor alerta para o número alto de casos no estado e os custos maiores com transporte, escolta armada e seguro de cargas. Entidade vê risco de desabastecimento e à saúde dos pacientes










