Medicamentos eram escondidos no Complexo da Maré, no Rio, antes de serem revendidos via empresas de fachada, aponta investigação. Unidades públicas chegaram a comprar produtos por meio de licitação 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Apontado como chefe da quadrilha, Stefano Mantovani Fernandes foi preso em Santo André (SP) — Foto: Divulgação / Polícia Civil RJ RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 10:49 Operação desarticula quadrilha que revendia remédios oncológicos no RJ A Polícia Civil prendeu Stefano Mantovani Fernandes, líder de uma quadrilha que roubava e revendia medicamentos oncológicos no Brasil. Os remédios eram escondidos no Complexo da Maré, Rio de Janeiro, e vendidos para hospitais, inclusive públicos, por meio de licitações. A Operação Metástase revelou que a facção Terceiro Comando Puro apoiava o esquema, que representava um risco à saúde pública devido à má conservação dos medicamentos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O homem apontado pela Polícia Civil como chefe da organização criminosa responsável por roubar cargas de medicamentos oncológicos e imunossupressores foi preso nesta terça-feira, em Santo André, no ABC Paulista, durante a Operação Metástase. Segundo a investigação, Stefano Mantovani Fernandes comandava um esquema que roubava cargas no Rio, escondia os medicamentos em áreas dominadas pelo Terceiro Comando Puro (TCP), no Complexo da Maré, e os redistribuía para outros estados, onde eram revendidos a hospitais privados e, em alguns casos, a instituições públicas de saúde por meio de licitações. Até uma unidade infantil chegou a receber os produtos, segundo o delegado Luiz Eduardo Moura, da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas do Rio. — Nós encontramos uma licitação onde uma das empresas foi vencedora para fornecer medicamentos para um hospital de crianças — detalhou o delegado da especializada. Chefe de esquema de roubo de medicamentos contra o câncer é preso Stefano já havia sido preso em 2009 durante a Operação Medula, da Polícia Civil de São Paulo. Na ocasião, ele e a família — suas irmãs Geovana e Giuliana Fernandes Mantovani, assim como seu pai, Dahir Fernandes Filho — foram apontados como integrantes de um esquema de distribuição de medicamentos contra o câncer roubados ou desviados da rede pública de saúde. Ao todo, nove pessoas foram presas naquela operação. Segundo as investigações da época, os remédios eram vendidos para 50 cidades em 20 estados e no Distrito Federal. Entre os medicamentos comercializados ilegalmente na ocasião, havia exemplares que poucas distribuidoras possuíam autorização para a comercialização. Por isso, para a polícia paulista, os hospitais sabiam que estavam adquirindo produtos ilegais. O prejuízo aos cofres públicos foi de R$ 40 milhões à época (valor que, atualizado, chegaria aos R$ 121,3 milhões). Medicamentos saíam do Rio Segundo a DRFC-CAP, as cargas eram roubadas no Rio e levadas para comunidades do Complexo da Maré dominadas pelo TCP, onde eram armazenadas e redistribuídas. A investigação aponta que a facção dava suporte territorial ao grupo, oferecendo proteção armada durante o transbordo das cargas. De acordo com a investigação, os medicamentos não permaneciam no Rio. Após serem ocultados na Maré, eram enviados para diferentes estados por meio de empresas de fachada, transportadoras, entregadores e “laranjas”. A Polícia Civil afirma que os produtos abasteciam hospitais privados e, em alguns casos, instituições públicas de saúde por meio de processos licitatórios. Os investigadores não divulgaram quais estados ou unidades de saúde receberam os medicamentos para não comprometer as investigações. Para a Polícia Civil, o esquema representava um grave risco à saúde pública. Medicamentos oncológicos e imunossupressores exigem controle rigoroso de temperatura durante todo o transporte. Quando armazenados de forma inadequada, podem perder a eficácia, sofrer contaminação ou até gerar substâncias nocivas, comprometendo o tratamento de pacientes com câncer, transplantados e pessoas com doenças autoimunes.