Empresa foi alvo de fiscalização da ANP no ano passado, como parte de investigações sobre irregularidades no setor de combustíveis Refinaria Refit havia obtido a liminar alegando suspeição dos diretores Pietro Mendes e Symone Araújo — Foto: Dado Galdieri/Bloomberg O presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ministro Herman Benjamin, suspendeu uma liminar que impedia dois diretores da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) de atuar em processos relacionados à Refit. A empresa foi alvo de fiscalização da ANP no ano passado, como parte de investigações sobre irregularidades no setor de combustíveis, com interdição da refinaria de Manguinhos, no Rio. A empresa havia obtido a liminar alegando suspeição dos diretores Pietro Mendes e Symone Araújo. Com a decisão, eles não são mais considerados suspeitos no processo que culminou na interdição da refinaria. Na ação que resultou na liminar, a Refit havia alegado que Mendes e Araújo eram suspeitos e haviam praticado a chamada "votação cruzada", quando mais de um diretor vota sobre pedidos formulados contra seus pares em causas em que eles estão envolvidos. Neste caso, Mendes teria votado sobre a suspeição de Araújo e vice-versa. Essa prática, segundo a Refit, foi aprovada pelo diretor-geral, Artur Watt. Segundo Benjamin, os fatos que foram imputados pela Refit a Mendes e Araújo foram apresentados após a realização, pela ANP, da fiscalização que a dona da refinaria buscou anular. Além disso, a liminar baseou-se em um artigo do regimento interno da ANP segundo o qual seria vedada a votação cruzada. A norma mencionada pela Refit não trata desse tema, apenas determina que o servidor considerado suspeito ou impedido não deverá participar da votação a respeito dessa matéria, o que ocorreu, segundo a própria Refit afirmou no processo. O presidente do STJ considerou ainda que a Refit, como investigada, poderia com a medida buscar a suspeição de toda a diretoria da ANP, abrindo espaço para obter um resultado diferente da interdição da refinaria. "A parte investigada pode gerar, artificialmente, o impedimento/suspeição de todos os membros do colegiado, bastando que impute acusações semelhantes contra alguns ou todos os julgadores, o que geraria o afastamento automático deles na votação da arguição de suspeição/impedimento dos outros. Isso geraria verdadeira 'escolha' dos julgadores que atuariam no caso ou, ao menos, a rejeição daqueles que não interessassem à parte investigada, o que não se pode admitir", disse Benjamin. Entenda o caso A controvérsia estava na legalidade da deliberação da diretoria colegiada que, por decisão do diretor-geral do órgão, Artur Watt, permitiu a participação de Symone Araújo e Pietro Mendes durante o julgamento dos pedidos de impedimento e suspeição feitas contra eles próprios pela empresa no processo iniciado com a interdição da Refinaria de Manguinhos. No caso da suspeição de Mendes e Araújo, uma das razões alegadas pela Refit para o pedido se apoiava no fato de que ambos eram “diretores de referência” da ANP na fiscalização da refinaria. O diretor de referência responde por uma área específica, mas essa figura acabou extinta na ANP. O caso se refere a fiscalizações realizadas em setembro de 2025, que fizeram parte de outra operação, a Cadeia de Carbono, sobre fraudes na importação e venda de combustíveis. A Refit foi interditada após a ANP constatar vários problemas relacionados a temas como segurança operacional, dados de petróleo processado e armazenamento de combustíveis. Na visão de fontes do setor, o pedido de suspeição seria uma tentativa da empresa de mostrar que a refinaria processa petróleo, embora as investigações questionem essa tese. Mesmo sendo uma refinaria, a Refit não refinava combustíveis, mas importava produtos, em operações irregulares, ainda segundo as investigações. No ano passado, a ANP e a Receita Federal aprenderam navios com cargas de combustíveis da Refit, no Rio.
STJ suspende decisão que impedia diretores da ANP de atuar em processos da Refit
Empresa foi alvo de fiscalização da ANP no ano passado, como parte de investigações sobre irregularidades no setor de combustíveis









