Parecer do Ministério Público defende prosseguimento de ação popular contra decreto da Prefeitura do Rio; disputa envolve projeto da FGV para instalar centro de inteligência artificial no local 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Prédio na rua Barão de Itambi, em Botafogo, que pertencia ao grupo Sendas é disputado judicialmente pela Fundação Getúlio Vargas — Foto: Gabriel de Paiva RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 15:55 MPRJ investiga desvio em desapropriação de imóvel em Botafogo para projeto de IA da FGV O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) encontrou indícios de desvio de finalidade na desapropriação de um imóvel do Grupo Sendas em Botafogo, pelo decreto do prefeito Eduardo Cavaliere. A ação popular contesta o uso do espaço para um centro de inteligência artificial da FGV, alegando favorecimento indevido. Moradores defendem a manutenção do supermercado no local, alegando que atende necessidades essenciais da comunidade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Ministério Público do Estado do Rio (MPRJ) emitiu parecer favorável ao prosseguimento da ação popular que questiona o decreto baixado em março pelo prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, para desapropriar um imóvel do Grupo Sendas, na Rua Barão de Itambi, 50, em Botafogo. Agora, o órgão aponta indícios de desvio de finalidade na utilização da desapropriação por hasta pública e entende que há elementos para que a ação judicial tenha continuidade. O parecer não encerra o processo e caberá à Justiça decidir sobre o mérito da ação. Segundo o Grupo Sendas, proprietário do imóvel, o parecer reforça a tese apresentada pela empresa desde o início da disputa judicial: a de que o decreto municipal teria sido usado para favorecer a instalação de um centro de pesquisas em inteligência artificial da Fundação Getulio Vargas (FGV), em vez de atender a uma finalidade pública. Em nota, o presidente da empresa, Arthur Sendas Filho, afirmou que o posicionamento do MP representa "uma vitória do bom senso, da legalidade e da proteção ao direito constitucional de propriedade". A disputa se arrasta desde o início do ano, quando a Prefeitura publicou um novo decreto de desapropriação do imóvel após a Justiça suspender uma primeira tentativa. O município sustenta que a medida tem interesse público por viabilizar a implantação de um centro de tecnologia, inovação e ensino voltado à inteligência artificial, em parceria com a FGV, como parte da estratégia de transformar o Rio em um polo de inovação. O Grupo Sendas, por outro lado, afirma que o prédio nunca esteve abandonado ou subutilizado. Atualmente, o imóvel abriga uma academia em funcionamento e, segundo a empresa, o térreo passa por obras para receber uma unidade do Supermercado Mundial, contrato que já estaria assinado. Moradores defendem manutenção do supermercado Moradores de Botafogo fazem uma manifestação contra a desapropriação de um supermercado na Rua Barão de Itambi — Foto: Gabriel de Paiva/ Agência O Globo Segundo a associação, a retirada do supermercado reduziria a oferta de serviços essenciais na região e poderia afetar a circulação de pessoas no entorno. Os moradores também criticam a condução do processo de desapropriação e afirmam que não foram consultados pela Prefeitura. Na ocasião, a presidente da Amab, Regina Chiaradia, disse que a manifestação buscava sensibilizar a Justiça sobre a importância de manter o imóvel com uso comercial. — A gente sabe que, se for a leilão, acaba qualquer chance. A manifestação foi justamente para mostrar que a prefeitura desapropriou o imóvel alegando interesse público. E nós contestamos isso: interesse público exige ouvir a população — afirmou. Sobre o caso De acordo com o Grupo Sendas, o parecer do Ministério Público entende que existem elementos para apurar eventual desvio de finalidade na desapropriação, ao considerar que o instrumento da hasta pública teria sido utilizado para viabilizar um projeto de interesse de uma instituição privada específica. O parecer foi apresentado no âmbito da ação popular que questiona o decreto municipal e não representa uma decisão judicial sobre o caso. O imóvel é alvo de uma sequência de disputas judiciais. Ainda em março, a 5ª Vara da Fazenda Pública suspendeu o primeiro decreto de desapropriação por entender que a Prefeitura não havia demonstrado adequadamente o interesse público da medida. Dias depois, a administração municipal editou um novo decreto, incluindo estudos técnicos para justificar a desapropriação. Em abril, a 14ª Vara da Fazenda Pública negou um pedido liminar do Grupo Sendas para impedir o leilão do imóvel, entendendo que, naquele momento, prevalecia a presunção de legalidade dos atos administrativos. A empresa recorreu da decisão.
MPRJ vê indícios de desvio de finalidade em desapropriação de imóvel do Grupo Sendas em Botafogo
Parecer do Ministério Público defende prosseguimento de ação popular contra decreto da Prefeitura do Rio; disputa envolve projeto da FGV para instalar centro de inteligência artificial no local






