Protestantes questionam a decisão da Prefeitura do Rio de destinar o prédio a um projeto da Fundação Getulio Vargas (FGV) 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Endereço em Botafogo onde funcionou uma unidade da rede Pão de Açúcar é alvo de disputa na Justiça — Foto: Fabiano Rocha / 23-12-2025 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/06/2026 - 18:23 Protesto em Botafogo: Comunidade Rejeita Leilão de Terreno das Sendas Moradores de Botafogo protestaram contra o leilão de um terreno das Sendas, defendendo que o local continue a abrigar um supermercado, em vez de um projeto da FGV. Liderados pela Amab, os manifestantes alegam que não foram consultados sobre a desapropriação e que um mercado é essencial para a comunidade. O caso é alvo de disputa judicial, com o Grupo Sendas contestando a decisão da prefeitura. A FGV planeja um centro de IA no local, mas alega não estar envolvida no processo judicial. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Moradores de Botafogo, na Zona Sul do Rio, realizaram um protesto neste sábado contra o leilão do imóvel localizado na Rua Barão de Itambi, 50, que pertencia ao Grupo Sendas e onde funcionou, por décadas, uma unidade do supermercado Pão de Açúcar. A manifestação foi organizada pela Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (Amab), que defende a manutenção da atividade comercial no local e questiona a decisão da Prefeitura do Rio de destinar o prédio a um projeto da Fundação Getulio Vargas (FGV). Os moradores pedem que o terreno continue sendo utilizado para a instalação de um supermercado. A associação sustenta que a manutenção de um estabelecimento do tipo na região seria mais útil para os moradores, além de contribuir para a circulação de pessoas e para a sensação de segurança no entorno. Os manifestantes também alegam que não foram ouvidos no processo de discussão sobre a desapropriação do terreno. De acordo com associação, o endereço faz parte da rotina e da história do bairro há 50 anos, período em que abrigou diferentes redes de supermercados. Eles ainda afirmam que a medida de desapropriação poderá afetar aproximadamente 200 mil moradores dos bairros de Botafogo, Flamengo, Urca, Laranjeiras e Catete, que utilizam a infraestrutura comercial da região. Presidente da Amab, Regina Chiaradia afirma que os moradores foram às ruas neste sábado para tentar sensibilizar a juíza que decidirá se o leilão do imóvel poderá ser realizado, conforme determinação da prefeitura. — A gente sabe que, se for a leilão, acaba qualquer chance. A manifestação foi justamente para mostrar que a prefeitura desapropriou o imóvel alegando interesse público. E nós contestamos isso: interesse público exige ouvir a população — afirmou. Regina também ressalta que não se trata de uma desapropriação para a instalação de uma universidade pública, mas de um empreendimento privado. Segundo ela, a manutenção do supermercado seria mais benéfica para os moradores. — No fim das contas, estamos falando de dois entes privados. A FGV quer criar um centro de inteligência artificial. É uma instituição privada. As Sendas também é uma empresa privada, mas mantinha um supermercado onde as pessoas faziam suas compras. Nós não estamos defendendo as Sendas; estamos defendendo o direito da população de ter um supermercado perto de casa, o que facilita a vida de todos. Se fosse uma universidade pública criando um centro de IA voltado para a educação pública e gratuita, seria outra situação. Mas não é o caso. Então, se é lucro por lucro, a gente prefere manter o nosso supermercado — concluiu. Arthur Sendas Filho, presidente do Grupo Sendas, afirma que, em 2025, foi assinado um contrato de locação com o Supermercado Mundial para que uma nova loja fosse aberta no local em 2026, e que continuará tentando impedir que a desapropriação seja concretizada. — É no supermercado que as pessoas compram alimentos, produtos de limpeza e outros itens indispensáveis para o dia a dia. Retirar esse equipamento da região significa obrigar milhares de moradores a percorrer distâncias maiores para ter acesso a produtos de primeira necessidade. A Prefeitura justifica a desapropriação alegando interesse público, mas tanto a manifestação quanto o abaixo-assinado mostram justamente o contrário. O interesse público é manter o supermercado funcionando — disse ele. Em nota, a Prefeitura do Rio afirmou que a desapropriação tem como objetivo viabilizar a implantação de um centro de tecnologia, inovação e ensino na região, "fortalecendo a vocação do Rio de Janeiro como cidade de conhecimento, pesquisa e desenvolvimento econômico". "A Prefeitura do Rio de Janeiro informa que seguiu o rito processual, rigorosamente de acordo com a legislação vigente. O terreno será submetido a leilão público, seguindo os procedimentos legais adotados pelo Município em casos semelhantes. A Prefeitura do Rio confia na legalidade de todo o processo de desapropriação e busca comprovar a regularidade das ações junto ao Poder Judiciário", diz a nota. Disputa judicial O prédio é o centro de uma disputa judicial envolvendo a Prefeitura do Rio, o Grupo Sendas e a FGV. O município desapropriou o imóvel com o objetivo de realizar um leilão e viabilizar a instalação de um centro de pesquisas em inteligência artificial da fundação no local. O Grupo Sendas, proprietário do prédio, contesta a desapropriação na Justiça. A empresa argumenta que havia negociações avançadas para a instalação de um supermercado no endereço e sustenta que a medida adotada pela prefeitura favorece a FGV. Nos últimos meses, o caso foi alvo de sucessivas decisões judiciais. Em abril, a Justiça voltou a suspender o leilão do imóvel após recurso apresentado pelo Grupo Sendas. Com isso, o processo permanece sem definição e ainda não há nova data para a realização do certame. Em nota, a FGV informou que pretende construir e instalar o mais avançado centro de pesquisa e desenvolvimento de Inteligência Artificial do país e, havendo condições, o projeto será desenvolvido no Rio de Janeiro, em Botafogo, onde se encontra a sede da Fundação. "O projeto trará inúmeros ganhos para a cidade, que se transformará em referência em IA e novas tecnologias, o que atrairá especialistas, pesquisadores e estudantes dos demais estados brasileiros e de outros países, fomentando a geração de empregos, o comércio em geral, o turismo de negócio, enfim, toda a economia da cidade. Ao mesmo tempo, a FGV não é parte em qualquer processo que envolva o imóvel, não lhe cabendo se manifestar a respeito", diz a nota.