Já está em operação o mercado de explicações monocausais para a queda da seleção. O problema não é apenas o fato de que uma queda como a brasileira obviamente tem causas múltiplas.
Entre as explicações estapafúrdias está o puro preconceito religioso que vincula a queda da seleção à mudança demográfica entre os jogadores, da maioria católica para a evangélica. Sobre essa estultice, agradeço a Rodrigo Toniol e Juliano Spyer por me desobrigarem do suplício de escrever.
Entre as explicações plausíveis à primeira vista, uma repete que o Brasil caiu porque "copiou os europeus" e "perdeu a brasilidade". Substitua europeus por Premier League e brasilidade por ginga, malemolência ou corporeidades subalternas. Dá na mesma.
Seus proponentes não parecem se dar conta da idade dessa explicação, da frequência com que reaparece e de sua estrutura tautológica.
O discurso sobre uma identidade brasileira unívoca no futebol, associada à ginga, tem 90 anos. Gesta-se no Jornal dos Sports de Mário Filho, nos anos 1930, e recebe sua formulação canônica em "Futebol mulato" (1938), de Gilberto Freyre –um gigante do pensamento que não mantinha uma relação de grande proximidade com o futebol.






