Após a eliminação da seleção brasileira pela Noruega na Copa do Mundo, passou a circular nas redes sociais uma sugestão teológica que justificaria nossa derrocada futebolística. Segundo ela, teríamos parado de ganhar títulos conforme nos tornamos mais evangélicos e menos católicos. Ao longo da última semana, recebi dezenas de mensagens de amigos repercutindo a associação e me perguntando: faz sentido?
Em resumo, o argumento é que o estilo marcadamente brasileiro de se jogar, aquele que nos fez pentacampeões, encarnaria predicados católicos. A poesia do nosso futebol, em oposição à prosa europeia, na fórmula consagrada por Paolo Pasolini, seria, antes de tudo, católica. Daí viriam a alegria nos pés, a beleza do improviso popular, o senso de coletividade e a ginga da nossa vocação com a bola.
Essas características teriam desaparecido dos corpos dos jogadores juntamente com o processo de conversão deles. Afinal, se há um processo perceptível mesmo para aqueles que só acompanham futebol a cada Copa do Mundo, é que agora raros são os jogadores brasileiros que ultrapassam a marca de duas entrevistas sem mencionar Jesus.A protestantização do futebol brasileiro teria nos afastado decisivamente do troféu. Isso porque o ethos evangélico teria deixado nosso jogo mais individualista, mais focado na salvação individual, na disciplina rígida e categórica, tirando espaço daquilo que nos fez vencedores originalmente.











