O clima de Copa também me contagiou. Até o fim do Mundial, esta coluna vai recuperar histórias que mostram como o esporte mais popular do mundo não mobiliza apenas os mortais, mas também os deuses. Começo esta breve antologia religiosa do futebol em Campinas, com o Guarani, único clube do interior a vencer o Campeonato Brasileiro.
Depois do título de 1978, a rotina do time campineiro consistiu em poucas glórias e muitas lutas contra o rebaixamento. Em 1997, a situação do clube era dramática. Para permanecer na Série A, precisava ganhar três jogos. Mas vinha de uma sequência de 16 partidas sem vencer, que gerou a dispensa do técnico Lula Pereira e a contratação de Vadão.
Ao chegar à sala do presidente do clube, o folclórico Beto Zini, o novo treinador se deparou com um sujeito aliviado. Zini disse que já estava tudo resolvido: tinha recebido sinais da melhor escalação para as partidas decisivas, e bastaria Vadão não atrapalhar. Ocorre que o desenho tático recebido pelo presidente foi enviado direto do cemitério, por um falecido.
O defunto entendedor de futebol era Luís Carlos de Oliveira, o Bolão. Morto havia dois anos, Bolão fora supervisor de clubes do interior paulista e, depois, empresário de alguns jogadores. Em seu leito de morte, Bolão fez uma promessa para o presidente do Guarani:










