Analistas escutados pelo jornal apontam que debate político sobre taxas terá impacto maior do que o efeito econômico no país Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — Foto: AP Photo/Mark Schiefelbein As novas tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros podem beneficiar o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na sua busca pela reeleição em outubro, avalia o jornal "Washington Post" em reportagem publicada nesta quarta-feira (22). "As tarifas tornaram-se um trunfo político para Lula. [O presidente americano Donald] Trump é impopular no Brasil, quase metade do país tem uma visão negativa dos EUA e os brasileiros são extremamente sensíveis à ideia de interferência estrangeira", disse Thomas Traumann, analista político sediado no Rio de Janeiro, ao Washington Post. Traumann ainda avaliou ao jornal que "se Lula conseguir convencer os eleitores de que Flávio Bolsonaro é responsável pelas ações da Casa Branca, isso pode ser suficiente para decidir a eleição a seu favor". Essa visão se alinha a do diretor do instituto de pesquisas Quaest, Felipe Nunes, que afirmou ao Washington Post que o impacto político das tarifas dependerá mais de quem será responsabilizado por elas do que do seu real impacto econômico. "Eventos externos podem remodelar a política quando os eleitores identificam um culpado político claro. Uma vez atribuída a responsabilidade, isso tende a afetar a avaliação dos atores envolvidos. Neste momento, há uma boa chance de que o episódio acabe beneficiando Lula novamente", disse Nunes ao Washington Post. "Pesquisas realizadas há dois meses mostravam Flávio Bolsonaro e Lula em empate técnico. No entanto, desde então, denúncias ligando Bolsonaro à maior fraude financeira do Brasil, brigas públicas na família e uma reação negativa devido aos seus vínculos com Trump ajudaram Lula a abrir uma vantagem de até oito pontos percentuais", escreve o jornal.
Tarifas americanas podem beneficiar Lula em disputa eleitoral, diz Washington Post
Analistas escutados pelo jornal apontam que debate político sobre taxas terá impacto maior do que o efeito econômico no país












