PUBLICIDADE Executivo passará a consultar setores afetados, como máquinas e equipamentos, móveis e calçados 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Ministros do governo falam sobre tarifaço de Trump; Gabriel Galípolo (Banco Central), Dario Durigan (Fazenda), Marcio Elias (MDIC), Geraldo Alckmin (vice), Mauro Vieira (Relações Exteriores), João Paulo (Meio Ambiente) e Maria Rosa — Foto: Brenno Carvalho / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/07/2026 - 17:09 Governo Lula critica EUA por adiamento de negociações tarifárias O governo Lula acredita que os EUA estão adiando negociações sobre tarifas em espera das eleições presidenciais brasileiras. Após sanções de 25% sobre produtos brasileiros, o Brasil considera a proposta americana de zerar tarifas "indigna". O governo planeja consultar setores afetados para estratégia de resposta. Apesar do pessimismo, o Brasil mantém canais de negociação abertos, evitando radicalização. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apostam que os Estados Unidos irão protelar a negociação do tarifaço para esperar o resultado das eleições presidenciais brasileiras em outubro. Um dia após os EUA decidirem ampliar sanções econômicas de 25% sobre produtos brasileiros, o Palácio do Planalto avalia que a gestão de Donald Trump esperará o fechamento das urnas para ver se o candidato que vencer a disputa aceitará negociar as tarifas nos termos norte-americanos. Para passar a considerar uma redução de tarifas, os EUA exigiram tarifa zero para bens industriais, máquinas e equipamentos, indústria química, setor espacial e automobilismo, além de zerar tarifa do etanol e não regulamentar plataformas digitais, de acordo com negociadores. A proposta americana foi considerada "indigna" pelo governo brasileiro e o acordo não avançou em cinco reuniões de alto nível entre ministros de Lula e auxiliares de Donald Trump. As tarifas passam a valer a partir do dia 22. O governo passará a consultar setores afetados, como máquinas e equipamentos, móveis e calçados, para a partir daí definir a estratégia para tentar desmontar o tarifaço, como fez no segundo semestre do ano passado, na primeira onda de sanções econômicas dos EUA. Nesse momento, no entanto, a avaliação do governo é de que o cenário de 2025 tem menos chances de se reproduzir devido à proximidade com as eleições. Para auxiliares de Lula, o EUA não só vai deixar o processo em banho-maria como vai torná-lo mais difícil após o anúncio do tarifaço. Auxiliares de Lula veem chances baixas de os EUA ampliarem a lista de exceções ou mesmo abrirem brechas positivas ao Brasil na negociação do tarifaço que representassem uma vitória ao governo Lula às vésperas do período eleitoral. O pessimismo do Planalto nas negociações daqui para frente também se deve ao fato da própria concepção da política industrial americana sob Donald Trump, que impõe sanções tarifárias inclusive para nações aliadas como Israel, Argentina e El Salvador, com foco em investir e produzir internamente o que antes era comprado de mercados externos. Os negociadores do governo brasileiro pontuam que todos os argumentos possíveis foram apresentados em 30 reuniões técnicas. Apesar das dificuldades, o governo atuará para manter canais de negociação abertos e nem irá apostar na radicalização. Apesar de o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, ter afirmado que Lula não negociou de boa-fé, o governo afirma que há muitos atores e interlocutores para negociar, além da ala ideológica da qual Rubio faz parte. Na descrição de um interlocutor de Lula, o Planalto irá atuar com "frieza" e sem deixar as emoções orientem as decisões do governo. Na quinta-feira, os Estados Unidos anunciaram a decisão de aplicar uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A taxação dos EUA deixará de fora uma série de itens como laranja, suco de laranja, carne, café, petróleo e gás, além de peças e componentes aeroespaciais. A decisão foi tomada após a investigação da Seção 301 pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês). A investigação tratava de acusações sobre supostas práticas desleais de comércio e apurava se ações do Brasil, como o uso do Pix, o desmatamento ilegal e a dificuldade dos EUA em ter acesso ao mercado de etanol brasileiro, prejudicariam as empresas americanas. A sanção é vista pelo governo brasileiro como injustificável, uma vez que a balança comercial com os EUA é favorável aos norte-americanos porque apresenta déficit para o Brasil.