Inteligência israelense acredita que complexo abriga parte do estoque de urânio enriquecido e centrífugas avançadas; especialistas divergem sobre eficácia de um ataque 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Teerã realizou uma série de ataques a instalações de energia no Golfo, incluindo a enorme instalação de GNL de Ras Laffan, no Catar, na foto acima, em retaliação a um ataque israelense ao campo de gás de South Pars, no Irã — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 09:16 Trump ameaça ataque a instalação nuclear iraniana, elevando tensões geopolíticas O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou atacar a instalação nuclear iraniana conhecida como Montanha da Picareta. Israel acredita que o complexo abriga urânio enriquecido e centrífugas avançadas. Especialistas divergem sobre a eficácia de um ataque, devido à profundidade da instalação. O Irã, por sua vez, adverte que tal ação seria vista como uma ampliação da guerra na região. A Montanha da Picareta continua sendo um ponto de tensão geopolítica. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar bombardear uma suposta instalação nuclear iraniana conhecida como Montanha da Picareta. Na terça-feira, o republicano afirmou que as forças americanas devem atingir a área “muito em breve e com muita força”, voltando atenções para o local onde Israel acredita que Teerã armazenou parte de seu estoque de urânio enriquecido e centrífugas avançadas de enriquecimento. — Provavelmente atacaremos essa área muito em breve. E não há nada que eles possam fazer a respeito — disse Trump, que, durante reunião no Salão Oval com o presidente do Líbano, Joseph Aoun, acrescentou: — Normalmente eu não diria isso. Se eu achasse que eles poderiam fazer alguma coisa a respeito, jamais diria isso. Ao comentar a instalação no início deste mês, Trump reconheceu que os EUA “não veem nenhuma atividade ali”, mas afirmou que ela continua sendo “um possível alvo para um belo e enorme ataque bem na porta da frente”. Questionado na terça-feira sobre relatos de que o Irã teria transferido centrífugas avançadas para o local, respondeu: “Não temos isso registrado”. Em resposta às declarações do presidente americano, Teerã advertiu que qualquer ataque dos Estados Unidos contra instalações nucleares iranianas será tratado como uma ampliação da guerra na região, segundo a mídia estatal iraniana. Veja, abaixo, o que se sabe sobre o local. Instalação subterrânea A Montanha Picareta fica no centro do Irã, cerca de 1,6 quilômetro ao sul da instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, alvo de bombardeios dos Estados Unidos e de Israel durante a guerra de junho de 2025 e novamente em março deste ano, no conflito atual. A montanha é conhecida localmente como Kuh-e Kolang Gaz La. Segundo o Instituto para Ciência e Segurança Internacional (ISIS), sediado em Washington, a instalação está enterrada a pelo menos 100 metros de profundidade sob a montanha. O instituto também estima que o complexo possua diversos túneis, um amplo perímetro de segurança e entradas reforçadas com concreto para protegê-las de possíveis ataques aéreos. Especialistas afirmam que a construção começou em 2020 e que a instalação ainda não está em operação. Imagens de satélite analisadas pelo ISIS mostram que as obras continuaram após os ataques de junho de 2025 e que um muro de segurança foi construído recentemente ao redor do complexo. Algumas entradas também foram reforçadas. Finalidade do complexo Quando notificou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, sobre a construção da instalação, em 2020, o Irã informou que ela seria destinada à montagem de centrífugas utilizadas para produzir combustível nuclear. Naquele ano, uma fábrica de centrífugas em Natanz havia sido destruída em um episódio que Teerã atribuiu à sabotagem israelense. As centrífugas enriquecem urânio ao fazê-lo girar em velocidades supersônicas. O urânio enriquecido pode ser utilizado para produzir combustível nuclear, embora seja necessário enriquecê-lo ainda mais e realizar outras etapas para fabricar uma arma nuclear. O Irã afirma que seu programa nuclear tem exclusivamente fins pacíficos e voltados para a geração de energia. O governo também diz que pretende construir novas usinas nucleares para atender à demanda interna e liberar mais petróleo para exportação. Apesar disso, Teerã não permitiu que a AIEA tivesse acesso à Montanha Picareta. No início do ano passado, o diretor-geral da agência, Rafael Grossi, afirmou que havia solicitado repetidamente informações sobre a instalação, sem sucesso. — Estamos perguntando a eles: ‘Para que serve isso?’. Eles respondem: ‘Isso não é da sua conta’ — disse Grossi. Suspeitas sobre urânio enriquecido Segundo uma fonte israelense ouvida pela CNN, a inteligência de Israel acredita que o Irã transferiu parte de seu estoque de urânio enriquecido e centrífugas avançadas para a Montanha Picareta após os ataques de junho do ano passado. Durante a guerra de 12 dias, Israel bombardeou as instalações nucleares de Natanz, Isfahan e Fordow e matou cientistas ligados ao programa nuclear iraniano. Os Estados Unidos entraram no conflito perto do fim, atacando os mesmos locais com bombas mais potentes. Na ocasião, Trump afirmou que as capacidades nucleares do Irã haviam sido “obliteradas”. A Montanha Picareta, porém, não foi atingida. Posteriormente, informações de inteligência dos Estados Unidos e da ONU indicaram que partes do programa nuclear iraniano permaneceram intactas, embora danificadas. Desde então, segundo a CNN, Washington e Tel Aviv passaram a compartilhar o objetivo de fazer o Irã eliminar seu estoque de quase 450 quilos de urânio altamente enriquecido ou retirá-lo do país. A emissora informou anteriormente que o Irã intensificou os esforços para proteger seu estoque de urânio enriquecido a níveis próximos aos necessários para uma bomba nuclear, provocando deliberadamente o desabamento de túneis e instalando minas explosivas nas entradas. No início de julho, uma fonte de alto escalão da área de segurança em Teerã negou as alegações de que atividades nucleares estariam ocorrendo na Montanha Picareta. Dificuldade para um ataque Especialistas divergem sobre a possibilidade de destruir a instalação. Devido à profundidade em que foi construída, analistas afirmam que mesmo as bombas antibunker mais potentes dos Estados Unidos podem não ser suficientes para atingir a parte principal do complexo. O Instituto para Ciência e Segurança Internacional avalia, no entanto, que a instalação depende de sistemas de ventilação, aquecimento, refrigeração, fornecimento de energia, abastecimento e acesso de pessoal, elementos que poderiam representar vulnerabilidades exploráveis pelos Estados Unidos e por Israel. O instituto também considera que o complexo seria mais adequado para uma operação terrestre ou ações de sabotagem. À CNN, Andrea Stricker, especialista em não proliferação nuclear, afirmou que Trump deveria inutilizar a Montanha Picareta para impedir que o Irã “reconstitua uma capacidade de enriquecimento ou uma opção de armas nucleares, além de manter acesso a milhares de centrífugas que representam os remanescentes de seu programa nuclear”. Por sua vez, James Acton, codiretor do programa de política nuclear da Carnegie Endowment, disse duvidar da capacidade de Washington conseguir fazer muito mais do que provocar o colapso dos túneis de acesso à instalação. — Isso não muda o jogo — disse. (Com New York Times)
Montanha da Picareta: O que se sabe sobre a instalação secreta no Irã que Trump diz que pode atacar ‘muito em breve’
Inteligência israelense acredita que complexo abriga parte do estoque de urânio enriquecido e centrífugas avançadas; especialistas divergem sobre eficácia de um ataque













