Apesar das ameaças do presidente dos EUA, especialistas avaliam que o complexo, construído em grande profundidade, está além do alcance das mais potentes bombas antibunker do arsenal americano Imagem de satélite mostra as entradas dos túneis em Pickaxe Mountain , na instalação nuclear de Natanz, perto de Natanz, Irã, em 30 de junho de 2026 — Foto: Vantor/Divulgação via REUTERS O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a ameaçar atacar a Pickaxe Mountain, uma instalação ligada ao programa nuclear do Irã, em meio à escalada de tensões entre os dois países.”Vamos atingir a área de Pickaxe Mountain muito em breve”, disse o presidente americano a jornalistas ao lado do seu homólogo libanês, Joseph Aoun, pouco antes de uma reunião bilateral. Pickaxe Mountain está localizada a 220 km ao sul de Teerã e a apenas 2 km do complexo nuclear de Natanz. O complexo de Natanz, onde funcionavam duas usinas de enriquecimento de urânio, foi bombardeado durante a guerra iniciada pelos EUA e Israel em 28 de fevereiro e também durante a guerra de 12 dias do ano passado. A instalação em túneis em construção sob a Pickaxe Mountain não foi alvo em nenhum desses conflitos, segundo o Institute for Science and International Security (ISIS), centro de pesquisa americano especializado em não proliferação nuclear. O pico fica a cerca de 1.600 metros acima do nível do mar. Em Natanz havia duas usinas de enriquecimento em operação: uma na superfície e outra subterrânea. A agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que a instalação de superfície foi destruída, enquanto a subterrânea provavelmente sofreu danos graves. Apesar das ameaças de Trump, especialistas avaliam que o complexo, construído em grande profundidade, está além do alcance das mais potentes bombas antibunker do arsenal americano. Segundo o ISIS, o local "seria mais adequado para um ataque terrestre ou uma operação de sabotagem". "No entanto, também podem existir vulnerabilidades que possam ser exploradas por armas de penetração profunda em ataques aéreos", afirmou o instituto à Reuters. Os EUA e o Irã mantiveram nesta terça-feira uma nova rodada de ataques, em um momento em que cresce a preocupação com a possibilidade de ampliação do conflito no Oriente Médio após os houthis, grupo do Iêmen apoiado por Teerã, anunciarem um bloqueio naval contra embarcações da Arábia Saudita. A nova ameaça dos houthis abre uma nova frente potencial na guerra, uma vez que o grupo controla a região do estreito de Bab el-Mandeb, passagem estratégica entre o Mar Vermelho e o Golfo de Áden, por onde transitam importantes rotas comerciais e energéticas do Oriente Médio, Europa e Ásia. A Arábia Saudita vinha desviando parte de suas exportações de petróleo justamente pelo Mar Vermelho enquanto Washington e Teerã escalam a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz. Por isso, um bloqueio em Bab el-Mandeb poderia comprometer esse fluxo da commodity saudita e ampliar os riscos para o abastecimento global de energia. O presidente dos EUA, Donald Trump, se reúne com o presidente libanês, Joseph Aoun (não aparece na foto), no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 21 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein Também nesta terça-feira, Trump afirmou que os EUA responderão caso o movimento houthi do Iêmen cumpra a ameaça de impor um bloqueio à navegação comercial no Mar Vermelho. “[Os EUA] simplesmente terão de cuidar do assunto", disse o chefe da Casa Branca sem dar mais detalhes. Segundo informações do Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) divulgadas em publicação na rede social X, forças americanas bombardearam alvos no sul do Irã pela décima noite consecutiva, incluindo centros de comando militar, locais de lançamento de mísseis e drones e sistemas de defesa aérea. Em resposta, o Irã afirmou ter atacado instalações militares americanas no Kuwait, no Bahrein e na Jordânia. De acordo com autoridades iranianas, ao menos 50 pessoas morreram no país desde o colapso do cessar-fogo no início do mês. Já do lado americano, o Pentágono informou que quase 100 militares ficaram feridos nas últimas duas semanas, a maioria com concussões leves, enquanto pelo menos três militares morreram desde sexta-feira, aumentando o número de militares americanos mortos para 17. Conforme dados de navegação da Kpler, apenas quatro navios de carga atravessaram o Estreito de Ormuz na segunda-feira, a maioria pela rota marítima do norte, próxima à costa iraniana, abaixo dos sete registrados no dia anterior, à medida que as companhias de navegação evitam a hidrovia por considerarem arriscado demais carregar petróleo bruto em portos do Golfo Pérsico. Apesar da escalada militar, o aumento dos preços do petróleo foi contido após ambos os países terem sinalizado disposição para retomar negociações pelos canais diplomáticos. Na segunda-feira, um alto funcionário iraniano disse à Reuters que Teerã recebeu dos mediadores uma proposta de cessar-fogo de dez dias, em uma tentativa de salvar o acordo provisório firmado no mês passado com o objetivo de abrir caminho a um entendimento duradouro que encerrasse a guerra iniciada em 28 de fevereiro com ataques americano-israelenses contra o Irã.
Trump diz que atacará a área de Pickaxe Mountain no Irã ‘muito em breve’
Apesar das ameaças do presidente dos EUA, especialistas avaliam que o complexo, construído em grande profundidade, está além do alcance das mais potentes bombas antibunker do arsenal americano












