Enquanto a famosa sucuri-verde pode passar dos seis metros e vive nos grandes rios da Amazônia, a sucuri-amarela raramente chega a quatro metros e desenvolveu estratégias incomuns para enfrentar meses sem água 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A sucuri-amarela (Eunectes notaeus) é menor que a famosa sucuri-verde da Amazônia e desenvolveu adaptações para viver em áreas alagadas do Pantanal e enfrentar os períodos de seca — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 10:20 Adaptabilidade da Sucuri-Amarela à Seca do Pantanal Surpreende Cientistas A sucuri-amarela (Eunectes notaeus), menor e mais adaptável que sua parente sucuri-verde, evoluiu para sobreviver às secas do Pantanal. Enquanto a sucuri-verde habita grandes rios, a sucuri-amarela explora lagoas rasas e brejos, reduzindo o metabolismo em tempos de seca. Pesquisas recentes sugerem revisões na classificação genética das sucuris, destacando a diversidade e adaptabilidade dessas espécies. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Quando alguém fala em sucuri, quase todo mundo imagina uma cobra gigantesca deslizando pelos rios da Amazônia. Mas essa fama pertence apenas a uma das representantes do grupo. A sucuri-amarela (Eunectes notaeus), encontrada principalmente no Pantanal e em áreas do Chaco, é bem menor que sua parente verde e desenvolveu adaptações que surpreendem os pesquisadores, como reduzir drasticamente o metabolismo para atravessar os períodos de seca. Embora pertençam ao mesmo gênero, as duas espécies parecem ter seguido caminhos evolutivos diferentes. A sucuri-verde (Eunectes murinus) está entre as maiores serpentes do planeta e pode ultrapassar seis metros de comprimento, dependendo dos registros considerados. Já a sucuri-amarela normalmente mede entre três e quatro metros e pesa uma fração da massa de sua parente amazônica. Sucuri enrolada no focinho da onça 1 de 3 Sucuri enrolada no focinho da onça — Foto: Reprodução/Fabiano Oliveira 2 de 3 Sucuri enrolada no focinho da onça — Foto: Reprodução/Fabiano Oliveira X de 3 Publicidade 3 fotos 3 de 3 Sucuri enrolada no focinho da onça — Foto: Reprodução/Fabiano Oliveira Sucuri enrolada no focinho da onça A diferença de tamanho ajuda a explicar onde cada uma vive. O corpo robusto da sucuri-verde é favorecido pelos grandes rios da Amazônia e da bacia do Orinoco, onde a água sustenta seu peso durante a caça e os deslocamentos. A sucuri-amarela, por outro lado, ocupa lagoas rasas, brejos e campos sazonalmente inundados do Pantanal. Mais leve e ágil, consegue explorar ambientes que secam durante parte do ano. A própria coloração revela essa adaptação. Enquanto a sucuri-verde exibe tons verde-oliva que a escondem entre a vegetação dos rios amazônicos, a sucuri-amarela tem o corpo amarelado coberto por manchas escuras, uma camuflagem eficiente entre capins secos, arbustos e águas rasas. A vida nesse ambiente exige estratégias diferentes. Durante a estiagem, quando muitas áreas alagadas desaparecem, a sucuri-amarela reduz sua atividade ao mínimo e desacelera o metabolismo para economizar energia, permanecendo longos períodos sem se alimentar até a volta das cheias. Esse comportamento aparece também na forma como ela ocupa o território. Um estudo conduzido por pesquisadores na Reserva Sesc Pantanal acompanhou oito indivíduos com transmissores e constatou que essas serpentes percorrem, em média, apenas 188 metros por mês. Em vez de cruzar grandes distâncias, elas permanecem fiéis a pequenas áreas próximas de canais com vegetação aquática, ocupando territórios médios de apenas 6,2 hectares. Nos últimos anos, as diferenças entre as sucuris também chamaram a atenção dos geneticistas. Em 2024, um estudo publicado na revista Diversity analisou amostras de DNA de exemplares coletados em nove países da América do Sul e concluiu que a tradicional sucuri-verde pode, na verdade, representar duas espécies distintas. Os pesquisadores propuseram reconhecer uma nova espécie, Eunectes akayima, distribuída no norte da Amazônia, além de reorganizar a classificação das sucuris-amarelas.