Contrariando um paradigma da botânica, uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (2) na revista Science revelou que as árvores gigantes das florestas tropicais –com altura equivalente à de prédios de 20 ou 30 andares– não têm dificuldade em transportar água da raiz até o topo e tampouco são mais vulneráveis à seca do que as menores.
O trabalho, que foi capa do periódico científico, detalha o mecanismo de sobrevivência dessas espécies ainda pouco compreendidas pela ciência, embora essenciais para a regulação do clima por sua capacidade de armazenar carbono.
Pesquisas anteriores sugeriam que, conforme as árvores ganham altura, a capacidade de mover água até sua copa poderia ser prejudicada pela maior distância entre raízes e folhas e pelos efeitos da gravidade. Isso reduziria a fotossíntese, limitaria o crescimento e aumentaria a vulnerabilidade à seca.
Mas, de acordo com o novo artigo, as árvores gigantes desenvolveram adaptações internas que compensam os desafios de transportar água até os galhos mais altos. Além disso, testes realizados durante secas severas mostraram que elas não tiveram declínio acentuado de crescimento em comparação com árvores menores, contrariando a hipótese de que espécimes muito altos seriam mais suscetíveis ao estresse hídrico.







