Pleito antecipado gerou desconfiança no mercado sobre possibilidade de interferência do governo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Logo da mineradora Vale na Bolsa de Nova York — Foto: Michael Nagle / Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 21/07/2026 - 23:09 Vale elege novo presidente do Conselho sob suspeita de interferência política A Vale realiza hoje a eleição para um novo presidente do Conselho de Administração, após a destituição antecipada de Daniel Stieler, impulsionada pela Previ, principal acionista e ligada ao Banco do Brasil. O mercado financeiro suspeita de interferência governamental nesse processo. Stieler renunciou em meio a alegações de má governança. Ollie, com amplo apoio, é favorito para liderar o conselho. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Há algumas semanas os olhos do mercado financeiro estão voltados para a disputa no Conselho de Administração da Vale. A mineradora, que vale mais de R$ 320 bilhões na Bolsa de Valores, marcou para hoje a assembleia de acionistas que deve definir o novo presidente do seu colegiado. A troca de conselheiros, que só ocorreria em 2027, foi antecipada porque, no mês passado, a Previ, fundação de Previdência dos funcionários do Banco do Brasil (BB) e principal acionista da companhia, pediu a destituição do então presidente do colegiado, Daniel Stieler. Boas práticas do mercado recomendam que trocas de conselheiros ocorram ao término do mandato, o que só ocorreria em abril do ano que vem. A forma como a troca foi anunciada chamou atenção de participantes do mercado, que desconfiaram de interferência do governo na escolha. Como a fundação de Previdência tem o comando compartilhado entre o BB e os funcionários do banco estatal, a entidade acaba sendo vista como via dos interesses do Planalto nas companhias em que investe. Stieler chegou ao Conselho pela própria Previ, quando era presidente da fundação. Com a volta do PT ao Palácio do Planalto, ele deixou essa posição em 2023, mas seguiu na Vale. Stieler resistiu ao pedido da Previ e disse que a ofensiva da fundação sobre seu cargo atropelava ritos internos e enfraquecia a governança da Vale. À época, ele chegou a acusar a Previ de "falsidade ideológica administrativa", em razão das justificativas apresentadas pelo fundo, além de "abuso do direito de voto". Mais tarde, acabou renunciando. Ao justificar publicamente o pedido de destituição à época, a Previ argumentou que a decisão era uma medida para reforçar o caráter independente dos membros do Conselho da mineradora. Ter conselheiros independentes em relação aos acionistas, que ajudam a supervisionar a administração conforme os interesses apenas da companhia, é considera uma boa prática nas companhias sem controle definido, como é o caso da Vale. O fundo disse ainda que os nomes indicados seriam acima de qualquer suspeita. Foram indicados pela Previ para a vaga de Stieler, José Mauricio Pereira Coelho, presidente da Previ de 2018 a 2021. E, para a presidência do Conselho, Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, executivo com décadas de carreira na mineração, que é conselheiro da empresa desde 2021. Sem vinculações políticas, não atuariam nos “fatos graves” mencionados por Gasparino na reunião do último dia 19 de junho. A Previ tem 6,82% das ações da Vale, segundo o site da mineradora. O fundo de pensão do BB também é acionista da Litel e da Litela, que faziam parte de antigo grupo de controle da mineradora. Com isso, estima-se que a fatia da Previ na companhia chegue a quase 10%. O clima de tensão segue até a conclusão da votação nesta quarta-feira, que deve ser divulgada após o fechamento do mercado. Segundo o colunista do GLOBO Lauro Jardim, a reunião que definiu como presidente interino do colegiado Wilfred Bruijn, o Bill, na semana passada, foi marcada por cobranças sobre vazamentos de informações e compliance. De acordo com o colunista, há pelo menos cinco pedidos de investigações tendo integrantes do conselho como alvos. Uma viagem sigilosa de membros do colegiado e da diretoria a uma mina de Corumbá, pertencente aos irmãos Batista, é um dos principais imbróglios. Os controladores do Grupo J&F querem revender a mina à Vale. De acordo com Lauro, para a presidência do conselho, Ollie conta com 1.292.298.490 votos, enquanto Marcelo Gasparino conta com 746.237.752 votos. O presidente do Conselho da Vale tem remuneração anual de R$ 3,3 milhões, de acordo com fontes. Para a vaga aberta no colegiado, o apoiado pela Previ José Maurício Pereira Coelho alcançou 616 mil votos, contra 1,4 milhão de Yeda.